Mostrando postagens com marcador Néfer Kroll. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Néfer Kroll. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de dezembro de 2007

Me encontra



Adoro sentar na parte de trás do
ônibus (do tipo que tem aquela
sanfona no meio, ligando os dois carros)
e observar a parte da frente
quando ele faz a curva.

Adoro sentar no primeiro banco do trem
e observar os trilhos e a paisagem, pela janela,
quando ele faz a curva.
Sempre quis, por isso, andar na
cabine do maquinista.

Não gosto de andar de barco.
Nunca andei de avião.
Adorava andar de carroça,
mas agora meu avô a desmanchou
por que ele não quer mais criar bois.

Gosto de caminhar quando
não tem sol durante a primavera
(por que tem muitas árvores floridas)
e aquele ar que só eu reconheço
sopra e eu respiro ele, bem feliz.

Então, mesmo se um dia eu fugir,
será fácil me achar.



* Imagem: Detalhe de "La ciudad adormecida", de Jorge Macchi. Fotografia de Néfer Kroll.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Víctima Serial






Rabia.
Eso es lo único que siento.
Una rabia sin límites.
Como un hierro caliente en el centro de mi corazón.
Pero ya van a ver non se van a olvidar de mi rabia jamás.
Está todo listo.
Los voy a hacer puré.
De nada vale prevenirse, no hay lugar a donde ir.
Yo voy a estar en todos lados.
Necesito sangre.
Mucha sangre.
La sangre me va a hacer olvidar para siempre la sombra
permanente que siento sobre mi.
Todavía hay mucho por hacer.
Ya fueron dos de las víctimas y hay más.
Ahora viene lo mejor.










(Texto e fotografia* extraídos do vídeo "Víctima Serial", de
Jorge Macchi**)



*Fotografia de Néfer Kroll
** Jorge Macchi é argentino e é um dos artistas
com exposição monográfica durante a 6ª Bienal do Mercosul - Porto Alegre -
Brasil)

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Uma mulher, numa quarta-feira e plim.


"Esta mulher acordou e fazia um belo dia de quarta-feira, o cheiro da manhã era feito primavera, os pássaros cantando que bem-a-viram e todo aquele clima de rara felicidade matutina tomou parte da sua alma. Almoçou e não reclamou da comida, que pela terceira vez a mãe requentava, já que "tava boa ainda" e seria "um desperdício colocar essa feijoada fora".

Ela se arrumou toda e saiu de casa. Foi fazer hora extra e nem se importava com isso porque ela gosta do que faz e, ainda por cima, ela ia ver uma de suas grandes amigas - colocar as conversas em dia (lê-se "curar as almas"). Chegando no centro da cidade, bem-humorada ela até se deu o luxo de observar aqueles trapezistas que pelos quais sempre passava reto, porque nunca tinha tempo: até conseguiu dar umas risadas do palavreado que eles usavam pra enrolar o povo até darem seus saltos mortais.

Chegando no trabalho, ela vê a amiga. Elas começam a conversar, procurando soluções. Ela sofria por um "amor-antigo-mal-resolvido" e sua amiga sofria por um "amor-quase-perfeitamente-resolvido", assim como toda a relação acaba sendo mesmo, e achava que até aí tudo bem pois todos namorados têm problemas às vezes, isso é normal. Mas, caros leitores, o problema, o problema de verdade, chegaria logo depois: era uma quarta-feira, sabem? Daquelas em que as coisas simplesmente não acontecem.

Acabado o expediente, ela deu "Tchau!" à amiga, virou-se e sentiu algo estranho. Plim. Um cheiro do passado que a fez pensar: "Eu quero ele, e quero agora!"- Plim.
Decidiu, então, tentar tapar o vazio. Esse vazio que dá do nada, sabem? O vazio que vem da dor de algo perdido, que mora na semelhança que a gente sente com essa coisa perdida. E ela caminhou. Caminhou por horas no meio daquele centro de cidade fedorento, cheio de pessoas, horário de pico, tudo errado. Ela percorreu todos os caminhos pelos quais ela andou com essa coisa perdida (ele!) tentando rezar pra que ela o encontrasse alí no meio, assim, feito mágica. Ela subiu a rua, desceu, foi até à cafeteria, à doceria, à praça, ao museu, à outra cafeteria, à loja de suco... e nada! Nada dessa pessoa sonhada... e aí o vazio doeu.

Ela então foi ao shopping, se empanturrou de junk food, deu uma passada no mercado pra comprar um pacote de cookies de chocolate dos mais caros que se tem notícia e uma garrafa de vodka das boas.
Chegando em casa, ela assistiu novela, escutou música, comeu 3/4 do bolo de chocolate que a tia trouxe, comeu o pacote inteiro dos cookies, mexeu no computador, encheu a cara com a vodka e escreveu esse texto."*



*Lê-se : "É ótimo ter noção de quando a TPM surge assim, plim, do nada, não é mesmo, garotas?"

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Sobre Of Montreal

Eu poderia ficar aqui, durante três páginas ou mais, convencendo vocês a escutarem mais de uma música do Of Montreal, falar sobre as influências deles (que inclui Mutantes e much more...) a qualidade musical e a riqueza das letras de cada álbum da já mui longa carreira. Mas eu não quero parecer uma fã histérica, e muito menos ser chamada de mod, indie ou qualquer uma dessas coisas com as quais as outras pessoas andam chamando as outras, principalmente quando se gosta de bandas desse tipo. Então como tentativa eu simplesmente vou fornecer-lhes uma fotografia, uma música e a letra da música. Saquem a genialidade de Kevin Barnes. Depois vamos todos fingir que não existimos e que estamos na Antártica.



"Bunny, ain't no Kind of Rider*"

Avistei ela, uma menina beijando meninas
(que choque)
eu disse: "ela deve ser artista..."

Ela murmurou uma resposta,
eu estava julgando a amiga dela
enquanto o DJ retocava o pó:
Ninguém queria dançar,
eles estão lá fora,
fumando cigarros.

Milky estava lá.
Sim, ele me aquela secada, dizendo: "experimentar não mata"...
... aí luzes azuis por todos os lados!

- "Eva, me desculpa...
mas você nunca vai me ter.
Para mim, você é apenas uma bichinha,
e eu preciso de uma amante com poder na alma
e você tem poder de alma nenhum..."

Você não tem poder na alma...
Você não tem alma.

Ela me levou lá pra fora
até a igreja com um impulso.
Lá estava eu, seu confidente.
O "- Vem aqui!" dela me deixou vermelho,
era a paixão daquela noite,
até que eu gritei:

- "Pára! Ei,
você deve ter medo, eu não estou sozinho,
eu tenho uma tigresa lá em casa,
e além disso,
você não saberia o que fazer comigo..."

outra música: "You Are An Airplane": http://download.yousendit.com/7861656B17546618

*"Bunny, Ain't No Kind of Rider" é do disco "Hissing Fauna: Are You The Distroyer?", lançado no início deste ano.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Algo



Hoje eu não quero ir pra casa.
Tu estranho e misterioso,
calmo em teus olhos castanhos,
fez eu querer me achar.
Persegui a vontade de
ter vontade de novo.
Eu pensava e julgava ela excluída.
Dentro de mim ela estava morta.
Dentro de mim nem mais cheirava.
Dentro de mim estava sumida.
Mas tu, estranho,
fez aquilo surgir,
fez despertar.

Novo sonho que começo a sonhar.
Dessa vez não tenho receio,
não tenho receio de errar.
Somos todos errantes
com vontade de amar.
E me enganar?
(Eu não sei mais).

terça-feira, 26 de junho de 2007

Mês de junho, cheio de santos!



Pra quem não fez simpatia pra Santo Antônio, pode fazer, agora, um doce pra São Pedro... Mini-arraiá en su casa!


Docinho de São Pedro

Ingredientes
500 gramas de batata-doce
1 lata de leite condensado
1 xícara de chocolate em pó
2 colheres de manteiga
açúcar cristal
cravo-da-índia

Modo de fazer
1. Cozinhe a batata-doce com casca até que fique macia. Isso demora um pouco, então leia um livro enquanto isso, ou vá alimentar o cachorro, não esquecendo de lavar as mãos quando voltar à cozinha.

2. Descasque a batata e a amasse com garfo. Batata-doce é uma moleza de descascar... é só puxar a pele, praticamente.

3. Junte o leite condensado, o chocolate e a manteiga. Cozinhe em fogo brando, mexendo sempre, até que a massa se solte do fundo da panela, é que nem brigadeiro.

4. Despeje em um prato untado com manteiga e deixe esfriar. Volte a ler um livro, eu estou lendo "Humano, demasiado Humano", do Nietzsche. Recomendo.

5. Modele os docinhos (em forma de bolinha), passe-os pelo açúcar cristal e coloque-os na forminhas de papel (a que combina mais é a que tem cor amarela).

6. Espete um cravo-da-índia em cada um.


Rezemos agora pra uma boa-receita de quentão!
(é, eu consigo pensar em algo que não seja o sofrimento humano)

sábado, 23 de junho de 2007

Conservatório



"Esse dia úmido há tempos não existe.
A flor do jacarandá, fresca na calçada,
me avisa sobre o lugar que, de alguma maneira
(além dos cheiros e da temperatura),
me faz voltar àquela tarde de uns anos atrás
quando eu ainda era apenas curiosa,
laço rosa,
soprando velas...

... Lento...

Essa placa de casa me diz nada além do nome
(cujo o sentido eu não sei),
ela somente traz a dúvida do que seria.
Eu espio como sempre, e pela janela vejo
um menino tocando seu mudo violino.
Porém isso ainda não me responde.
Aí sinto permanecer
o meu leve flutuar...

... Sopra...

Passa o velho com seu cigarro
(fumaça de palha),
guiando o ar para, outra vez,
me levar
àquela mesma tarde,
donde eu sempre
me sinto
segura em estar."

quinta-feira, 21 de junho de 2007

O quê se pode entender?


Cada pessoa é um universo. Incrível como cada pessoa possui seus métodos de percepção das coisas em diferentes níveis e diferentes vivências. A pessoa é tranqüila ou nervosa, feminina ou masculina, forte ou fraca... A outra pessoa também pode ser tranqüila ou qualquer um dos outros restos, e elas até passam pelas mesmas coisas; mas pra cada situação, elas reagem de modo semelhante a princípio, mas depois de conhecê-las, as atitudes realmente podem variar. Uma pessoa conhece a outra pessoa, vê nela algo de si e assim a adora. As pessoas se sentem bem ao encontrar alguém semelhante, e elas se unem aí. Esse é o interesse de estar nas pessoas, de estar fora de si: é a perspectiva de não estar sozinho no mundo. Pois é. E cada um é um universo. Às vezes estamos tão presos e enfiados em nosso universo que a gente não vê o que tem no universo do próximo. A gente fica tão cego que a gente não vê o próprio universo. E muitas vezes nós vemos o nosso universo tão bem e somos tão questionadores que acabamos nos perguntando se a verdade do outro não é mais verdade que a nossa. Será que estamos errando e somos tão errantes assim? Nós fomos criados por alguém. Será que os pais de todo mundo estavam certos? Somos tão irracionais assim? Nosso subconsciente fala tão alto assim? Hoje eu vi uma família no ônibus e eles estavam fazendo o seguinte:

Cena: Linha Florianópolis/ Mathias Velho/ Canoas. Os pais com seu pequenino. Eles estavam sentados e alegres porque haviam comprado um mini-system nas Casas Bahia. Aí então foi quando o menininho, no colo da mãe, querendo jogar uma bolinha de papel do tamanho de uma jujuba para fora da janela do ônibus, "provocou" essa situação...

A mãe:
- Não vai jogá!!!! - dando uma “bifa” na mãozinha de aproximadamente um ano daquele menininho.

Aí o menininho começou a chorar e o pai pegou um pacotinho de bala de goma de dentro da sacola da firma e falou:

- Toma filho. Toma a balinha... - o menininho, chorando, recusou. Aliás, ele nem sequer olhou para o pai – Ah, não quer, é? Eu vou dar pra mãe então, quer, mãe?

- Ah, eu quero... Humn... Que balinha boa...

O menininho nem olhou, ele olhava para fora da janela. Aí o pai e a mãe comeram as duas últimas balinhas de goma do pacote. O menininho tentou jogar de novo o papelzinho pela janela e a mulher pegou o braço dele com toda a força (que podemos imaginar) que uma mãe furiosa possa ter para tomar uma atitude assim com o próprio filho. Mas ele atingiu o seu objetivo. Agora a bolinha de papel estava em contato com algum pedacinho do asfalto, e ele olhava distraído lá para baixo. Tão distraído que (choquem-se) ele não percebeu que estava com a mãozinha na coxa da mãe.

A mãe, nervosa:
- Mas o que tu pensa que tu tá fazendo com a mão na minha coxa, hein, seu safado?

Sim, ela deu três ou quatro bifas, mais fortes ainda que a primeira, na mão do garoto. O pai ria, dizendo "Ah, esse é dos meus", e nessa altura o garoto já estava em prantos e teve a atitude que estava ali, desde o começo prestes a acontecer: o garotinho deu uma bifa na mão da mãe e depois, de quebra, na mão do pai. Eu fiquei atônita, e mais ainda fiquei quando o pai disse:

- Isso, filho! Bate! (risos) Bate mais forte!!
- É, bate aqui no banco ó, bate com força! - disse a mãe, e o guri começou a bater no banco.
- Isso, bate com o punho fechado!
- Mais forte!!! - e, dirigindo-se ao marido - Ai, Ai! (risos) Ele é tão fraco que vai acabar quebrando a mão!

Depois de uns 20 "tapas" que o menino deu no banco, com os pais rindo alegres, o gurizinho começou a achar isso divertido e correto.

Pelo que eu me lembre, nenhuma situação assim aconteceu comigo quando eu era pequena, mas uma série de outras situações estranhas aconteceu e eu sei mais ou menos o quanto elas influíram na minha personalidade. Agora, o quanto essa atitude desses pais vai influenciar na vida desse garotinho? Será que há pessoas próximas a mim que viveram a mesma coisa e são grossas ou agressivas porque sofreram esse tipo de situação quando pequenos? Eu sou capaz de entender perfeitamente. Eu me disponho a ouvir. Eu tento ser justa. Mas e quanto a mim? Quem vai entender ou ter esse tipo de preocupação? Eu nem sei se alguém vai ler essa história toda ou vai ter alguma coisa a dizer a respeito, até porque quase ninguém mais tem interesse puro, e eu nem sei se isso já existiu alguma vez. A massa consegue olhar só pra si, hoje eu li uma frase numa "pastelaria-evangélica-da-esquina":

"Deus lhe deu a vida pra que você cuide da sua".

Tem tanta coisa ruim... E tanta coisa boa também, mas quem consegue aproveitar o bom? Quem consegue se deslocar de si, ver o mundo por cima e conseguir ter uma visão de si nesse mundo para poder melhorar ou apenas aprender a agüentar essa sua convivência quase forçada com o mundo? Eu tento. Eu não quero mais abraçar o mundo. Eu faço um esforço imenso e hoje eu aprendi que eu não posso esperar das outras pessoas as coisas que eu faço por elas, só para não me machucar mesmo. O bom mesmo seria conseguir um dia achar divertido e se bastar apenas ao ficar observando as pessoas. Ou então tentar esquecer disso tudo e parar de fazer drama, não é mesmo?

quarta-feira, 6 de junho de 2007

O Plano



No mundo laranja
dos estranhos como nós
falamos falamos falamos
mas nunca ficamos a sós.

Bebendo e despencando
do jeito que gostamos,
odeio estar assim fazendo
rimas idiotas pelos cantos.

O plano era perfeito
um ciúme mui idealizado,
o sonho de me sentir melhor e
desejada por meu amado.

Foi mais uma idéia estúpida
nascida na minha nuca
que jamais curaria
a minha solidão maluca.

Pelo menos descobri que há
nesse mundo meio vazio
alguém assim como eu
um poeta nada sadio.