Mostrando postagens com marcador Samya. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Samya. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

.


Este maço de cigarros
Num dia cinza
Que te faz pensar nos amigos
Desperdiçados
Por palavras que tu disseste

Nada mais é do que um caminho
Para longe
Para fora da tua escuridão
Que na verdade não acaba
É infinita dor que te amarra

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Os ideais não mudam

Ontem, numa aula de ciência política, eu ouvi do meu professor que nós estamos numa faculdade de direito pra aprender a ter opiniões bem fundamentadas, e também para mudar de opiniões.

Uma aluna ousou discordar dele e disse que jamais mudaria sua visão política, e ele insistiu que assim não se era completo, que deveria se estar apto a mudar sua visão no momento em que se visse que ela não era a correta.

Como assim “correta”?! São os ideais da pessoa, não é um texto que vai fazê-la mudá-los, por mais embasado e convincente que seja este texto.

No momento em que tu solidifica teus ideais eles são pra vida toda, afinal são teus ideais, são as coisas em que tu acredita, é a tua opinião sobre determinado assunto, isso não muda simplesmente por ter lido algo bem fundamentado.

Recentemente tive a oportunidade de ler ‘O caso dos exploradores de cavernas’ onde cinco juizes dão seus votos sobre a condenação ou não dos espeleólogos por terem cometido homicídio e comido a carne do que foi morto, para sobreviver. Desde antes de ler o livro eu já sabia sobre o que se tratava, e eu já tinha uma opinião formada, de que os exploradores jamais deveriam ser considerados culpados, afinal eles estavam numa situação de vida ou morte, era uma situação adversa, onde não valem as leis de onde tu mora e sim as leis naturais que tu mesmo cria através de contratos firmados. É a lei da natureza, é o que se chama de direito natural, jusnaturalismo.

Ler o livro só me fez ter uma opinião mais fundamentada, e nisso eu concordo com o professor, estamos cursando esta faculdade para que possamos ter base para que nossos argumentos sejam bons, mas apesar de ter visto dois votos e meio contrários a posição que eu aceito como correta, e estes votos eram muito bem fundamentados e inclusive criticavam – e muito – o voto que eu aceitei como o que mais se encaixava com o meu pensamento, em momento algum eu pensei em mudar de opinião, por mais criticada que ela tenha sido durante o livro inteiro, afinal é a minha opinião, é o que eu penso sobre o assunto, isso não muda simplesmente lendo uma opinião contrária, porque não há nada que prove que a minha opinião está incorreta, apesar dos argumentos usados para tentar provar que o voto do juiz com o qual me identifiquei era mal embasado.

Ideais não mudam, e se mudam é porque a pessoa tem a cabeça muito fraca.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O pote de sorvete induz à solidão.



Tem coisa melhor do que chegar em casa super cansado da faculdade ou do trabalho e ir direto atacar um pote de sorvete?

Quadrado, enorme, 2 litros de puro prazer gelado.

Imagine-se num momento deprê: Você senta, sozinho, com aquele pote de sorvete e uma colher. Todo aquele sentimento de vazio vai embora por um momento, todo o sentimento de perda vai pro espaço, e o que se tem é uma sensação de preenchimento.

Quer coisa melhor que um pote de sorvete junto com uma sessão star wars num final de semana vazio na agenda?

Naquelas manhãs chuvosas detestáveis, abrir a geladeira e se deparar com um potão de sorvete prontinho pra ser devorado, parece que todo o cinza do dia vai embora e te deixa em paz.

Pode ser de flocos, hum, flocos, estalinhos na boca, crocante!

Pode ser de chocolate, morango ou creme, mas JAMAIS os três juntos, afinal, o napolitano não é um sabor aceitável, quando derrete é uma meleca de cor indefinida que pouquíssimas pessoas apreciam como se fosse um néctar divino.

A relação com o pote de sorvete é de companheirismo. Ele te dá todo prazer necessário, e ele só pede um pouquinho de atenção, pedindo pra que você não deixe derreter. Você não precisa de mais ninguém, só do seu pote de sorvete.

Mas cuidado, assim como num namoro, nesse tipo de relação um pode se tornar escravo do outro, e parar de ver pessoas, e passar a ter somente a companhia do outro, o que é muito prejudicial. Toda a vida social vai pro lixo, e você passa a viver em função do pote de sorvete, que pode inclusive te fazer engordar.

Aí, quando você estiver em depressão pós pote de sorvete, quem poderá lhe ajudar?

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Hiato criativo

Um dia bate, assim, inesperado, à sua porta, esse tal hiato criativo.

Você lê e não obtém respostas do próprio cérebro.

Fica esperando, esperando, esperando, incansável.

Mas a idéia simplesmente não vem.


Ela não vem.


Você passa a decepcionar seus antigos leitores, pai, mãe, irmã, amigos.

E o pior: decepciona a si mesmo.

Cadê o antigo escritor que morava na bela rua cheia de flores dentro de você?

Não mora mais? Se mudou para uma rua vazia e escura?



Será que ele volta?

...


Por Samya, quem o hiato criativo conseguiu aprisionar.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O labirinto do Minotauro


Como chegar ao fim
Sem ter ao menos começado?
Fico pensativa assim
Porém sem ter um resultado apontado.

Para chegar ao fim
Precisa-se chagar a metade.
E para chegar à metade, sim,
Precisa-se chegar ao fim da outra metade.

Como saber onde fica a metade no fim contida?
Seguindo caminhos ilusórios traçados cuidadosamente
Procurando a metade da metade, e assim sucessivamente
Nunca conseguiria sair do lugar de partida.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

O que a gente espera de uma manhã chuvosa?


A janela molhada

O primeiro cigarro aceso na sacada

As gotas caindo da folha da planta

A avenida lotada logo cedo

Os táxis todos fora do ponto

As pessoas correndo

Um almoço marcado para o meio dia

Que pode ser atrasado para a uma hora

Que pode ser arruinado pelo bad hair day.



O que a gente espera de uma manhã chuvosa?

A gente espera o sol.

E só.

Na esperança de que brilhe e esquente tudo.

Para que a avenida volte ao normal

Os táxis voltem ao ponto

As plantas sequem

E o cabelo fique lindo e solto.

Só o sol.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Hoje eu tive um surto romântico.


Você pode estar namorando há dez anos ou há dois meses, isso não importa, mas talvez você ainda não saiba a real diferença entre fazer amor e fazer sexo.

Está nas músicas que vocês ouvem [ou não] durante a relação;

Está em reparar nas pequenas coisas ao redor de vocês, como a janela embaçada, típica cena de filme;

Está nos olhares;

Está nos beijos – ou ausência deles;

Está em saber dizer se foi amor ou não – e principalmente nisso.

As relações são tão frias hoje em dia, perderam o romantismo, e com isso perdeu-se o hábito de fazer amor. Hoje em dia o que importa é transar. Com o maior número de pessoas possível, no maior número de lugares inusitados possível.

Perdeu a graça. Tudo perde a graça quando perde o romantismo.

Hoje, chegar numa balada e tomar algo forte, incorporar um personagem e sair “pegando todo mundo” soa legal. Mas só soa legal porque você não sabe o que é fazer amor.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Sobre como as pessoas me irritam...


Por simplesmente existirem.

Por que é que algumas pessoas não conseguem sair da estaca zero? Por que é que algumas pessoas não conseguem simplesmente dar uma melhoradinha sequer?

Insistem em ter a cabeça sempre vazia, e como se não bastasse, insistem em achar que a gente tem a obrigação de agüentar suas cabeças vazias.

Se é pra vir sempre com os mesmos “ai ais”, “beijos querida” falsidade, papo furado pra cá e lenga lenga batido pra lá, então... NÃO VEM.

O que têm na cabeça essas pessoas que esperam consideração da minha parte no meio da madrugada, após semanas sem me acrescentar nada, e pior, me incomodando, sendo que eu deixo BEM claro que me incomodam?

As pessoas não deveriam existir.

Eu odeio as pessoas.

Odeio.

Mesmo.

domingo, 22 de julho de 2007

“Triste”


(J. G. de Araújo Jorge)


Eu hoje acordei triste.

Há certos dias

Em que sinto esta mesma sensação.

E não sei explicar qual a razão

Porque as mãos com que escrevo estão frias.

E pergunto a mim mesmo: “Tu não rias inda ontem tão feliz?

Diz-me, então, por que sentes pulsar teu coração

Destoando das humanas alegrias?”

E nem eu mesmo sei dizer

Porque estou triste.

Quem me olha não calcula, com certeza,

O imenso caos que no meu peito existe.

A tristeza que eu sinto ninguém vê.

É a maior das tristezas

É a tristeza que a gente sente sem saber por quê.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Cadê Deus?


Eu nunca critiquei as pessoas que acreditam em Deus, ou em alguma força maior.

Eu só gostaria de fazer uma pergunta, uma única, neste momento:

Cadê Deus, que não impediu a tragédia do vôo 3054?




Momento reflexão:

Quantas pessoas mortas, Deus?

Quantas famílias com uma dor sem tamanho?

Pessoas brilhantes a bordo daquele vôo.

Onde você estava, Deus?

terça-feira, 17 de julho de 2007

Qual é o melhor troco para a ingratidão?


O que fazer com aquelas pessoas que não te estendem a mão no momento em que tu mais precisas? Aquelas pessoas para quem tu estendeste a mão quando elas precisaram, a quem tu deste teus ombros? Amaldiçoar? Não vale a pena.

Isso acontece muito mais frequentemente do que nós gostaríamos. As pessoas que nós ajudamos com o maior prazer nos viram as costas, ingratas.

Nós costumamos ficar com raiva, xingar, até brigar e cortar relações. Mas nada disso vale a pena. Não vale a pena.

Existe uma coisa, que muita gente vai ficar pensando que é besteira, que as avós já diziam que funciona: deixe para o tempo resolver.

Esta pessoa ainda vai levar uma bela de uma rasteira da vida. Nem precisa ser da vida: Pode ser de um priminho de cinco anos dela. E cair de cara no chão, quebrar o nariz, ficar deformada pro resto da vida, que nem com quatro cirurgias plásticas resolva.

Pode começar a contar os minutos.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Sobre os relacionamentos à distância.


Quando nos relacionamos a distância é porque queremos distância.
Certo ou errado? Certo.
Deve ter muita gente pensando: “Ela ficou louca. Eu conheci o fulano no chat, nos amamos, e é uma infelicidade morarmos longe, queremos muito morar mais perto.”
Não é verdade. As pessoas procuram a distância. Não é a distância que chega até elas milagrosamente.
Procurar a distância é uma estratégia pra se proteger. Se proteger da dor, eu acho. A dor da convivência, a dor da traição, a dor de enjoar, a dor da despedida, a dor do fim.
À distância é tudo mais fácil, é tudo mais supérfluo, é tudo mais irreal.
Conviver à distância não envolve aturar a pessoa no seu dia-a-dia, cara a cara. (ficou estranho isso, né?) Não envolve conviver com a família da pessoa, não envolve uma grande aproximação, o que, de fato, envolve muita cautela.
Conviver à distância é o que o próprio nome sugere: conviver à distância.
Ninguém consegue enxergar que faz isso como a procura por um escudo. Acha que é uma mera coincidência, uma má sorte, o fato de a pessoa amada morar longe.
Se as pessoas que namoram através da internet forem analisar o porquê de elas namorarem desta maneira, elas perceberão que elas procuraram isto! E que eu não estou falando nada além da verdade.
A parte de admitir a existência de uma grande fragilidade que precisa ser superada para poder enfrentar um relacionamento de verdade é muito difícil. E a maioria das pessoas que me lêem vai preferir continuar me achando louca, mas que as pessoas estão cada vez mais, de fato, procurando a distância, elas estão. E o porquê nós sabemos, muitos apenas não querem enxergar.

sexta-feira, 6 de julho de 2007



Atenção: este texto era duas vezes maior do que aparecerá aqui, e eu resolvi cortar o início, que falava sobre a vida aos 15 anos, e passar direto para o "hoje".

Quando se tem 15 anos, os sonhos são grandes, as expectativas maiores ainda. Almeja-se chegar aos 18 logo, para poder dirigir. Espera-se já ter ingressado na faculdade, onde todos os garotos são lindos, e as festas enormes e maravilhosas, como nos filmes americanos.

(...)

Quando se tem 15 anos, sonha-se em ser um jurista famoso, modelo internacional, ator, astronauta. A maior ilusão é a de que a faculdade será a coisa mais maravilhosa do mundo, e que até lá já se tem certeza do que se quer.
Chegando aos 18, dirigir perde a graça; não se sabe o que se quer da vida; e a faculdade é, na grande maioria das vezes, frustrante. Os sonhos diminuem até se tornarem coisas tangíveis – passam, por exemplo, de “ser um cientista” a “ser aprovado em cálculo B” – e os garotos são só garotos, não mais homens lindos, galãs.
Sair no final de semana é algo comum, não existe a parte divertida da mentira inocente, falsificação de carteira de identidade para entrar em boates, aquela adrenalina toda.
Beber nem tem mais graça. Às vezes a situação é tão triste que se chega ao ponto de nem querer sair por estar cansado das provas, das noites viradas estudando anatomia, das tardes intermináveis em pé no laboratório quente e com cheiro enjoativo.

Os pais querem que os filhos se formem logo e tenham um emprego bom – o que será praticamente impossível no início da carreira (e se sonha sair da faculdade ganhando 5mil reais por mês, quando se tem 15 anos) – os amigos foram estudar longe, o ‘amor’ adolescente já nem existe mais.

Finge-se que isso tudo é mentira, tenta-se achar argumentos... Mas todos são inválidos. Mente-se pra si mesmo que “a faculdade é só um pedaço da grande estrada para o sucesso”, tenta-se enfiar na cabeça que ter liberdade é muito melhor, e blá blá blá...
A realidade é que o mercado de trabalho atual é uma merda; a liberdade, quando alcançada, é uma merda; não precisar implorar vinte reais para os pais é uma merda. Tudo perde a graça, consequentemente, tudo é uma merda.


Quando você fizer 18 anos lembre-se: ainda existem montanhas-russas, tobogãs e muito chocolate. Eu, se fosse você, fingiria, de vez em quando, ter 15 anos de novo.
Vale até esquecer o RG em casa e ter que falsificar um.


Samya, que teve coragem de largar a vida e começar de novo, academicamente falando.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Para Deborah, que me pediu para falar sobre política


O sistema de cotas é um assunto que gera polêmica, e por maior que seja o número de pessoas contra, a insistência em implantá-lo é ainda maior. É considerado um sistema errôneo, por ser preconceituoso e economicamente negativo para o país: O custo é alto, precisa-se manter os alunos, e não só deixá-los entrar na universidade.

O nível das salas de aula cairá, e conseqüentemente o dos profissionais formados também, porque não foram selecionados pela sua capacidade, e sim etnia. Duas coisas que, definitivamente, não têm relação alguma. E, como todos nós sabemos, quanto melhores os seus profissionais, mais benefícios tem um país.

Em Santa Maria, a implantação do sistema de cotas na UFSM foi mal divulgada, abriu pouco espaço para qualquer manifestação contrária, e alega visar retratação com algumas minorias. Minorias? Os negros e pardos já passam de 50% da população do Brasil, portanto não formam uma minoria étnica.

O vestibular deve ser um processo de seleção por capacidade intelectual, e o atual sistema da UFSM é péssimo, selecionando por capacidade de decorar matérias. O que, logicamente, passa longe de ser um método inteligente de escolha dos que realmente têm condições de levar um curso adiante.

Se o governo quer realmente promover justiça, por que ele não melhora o sistema de ensino público desde as séries iniciais? Porque é uma mudança gradual, muito lenta. E, atirar vagas como quem atira esmola é muito mais fácil e rápido: é o objetivo de governantes corruptos querendo limpar sua imagem já denegrida.

Sejamos inteligentes: Abramos os olhos.
E que vença o melhor.


Samya costuma ser radical, odeia qualquer tipo de esquerdismo, e acha que lugar de comunista é em Cuba. Mas ainda assim é uma pessoa boa. Ou não.

domingo, 17 de junho de 2007

O dia em que eu 'fiquei atoladinha'


Eu deveria falar sobre uma viagem aqui, mas a viagem em si não tem nada de interessante. O legal foi a volta. A Argentina nunca teve muita graça, as pessoas são chatas, quadradas, e a toda hora tu acha¹ que elas vão engolir a língua, pelo jeito que falam. Bom, meu pai é fazendeiro, e recebeu uma proposta de venda relativamente boa, e aproveitou que era longe para dar uma passeadinha. A fazenda era legal, tinha um açude gigantesco, com eucaliptos numa das margens, o que tornava a vista muito linda. Mas as cercas eram bem diferentes do que o meu pai esperava.

Resolvemos conhecer as divisas com as fazendas vizinhas, até pra ver como eram as outras cercas (não entendo, deve ser uma encucação-de-pai.). Maldita hora! O capataz estava na caminhonete conosco, guiando meu pai. Só que o desgraçado não avisou sobre a existência de um banhado logo à frente, e, o que é bastante óbvio, a caminhonete atolou. Tração nas 4? Naquela hora só servia de enfeite. Não tínhamos pá, nem nada que pudesse ajudar, exceto um capataz infeliz que teve de caminhar mais ou menos 50min até a sede, pra buscar ajuda.

Depois de mais ou menos uma hora e meia de espera, ele volta num trator em péssimo estado de conservação, o que, segundo meu pai, só ratificava a idéia de que o dono da fazenda não era organizado – o que deu pra perceber pelas cercas. Estaria tudo bem, se o capataz tivesse pelo menos 1/3 de cérebro do que se esperava que ele tivesse. Mas ao invés de trazer uma corrente, um gancho para atar no trator, o ANIMAL trouxe uma corda. CORDA!! Se a tração 4x4 não tirou a caminhonete dali, no que uma maldita corda ia ajudar? Claro que a gente pelo menos tentou, mas como era de se esperar, a corda rebentou.

Ele voltou à sede, e dessa vez esperávamos que ele tivesse bom senso, e buscasse algo mais resistente. Mais de duas horas e meia depois, num frio do caralho, no meio da porra do nada, com muito barro, já tinha começado a escurecer há horas, e nenhum celular tinha sinal, já estávamos, obviamente, com medo. PÂNICO, pra ser sincera. Até que enfim, o cara apareceu, com um rapaz da fazenda vizinha. Só que, só pra deixar a coisa um pouco mais assustadora, as merdas das luzes do trator (que era UM CACO) queimaram, sabe-se lá como! PUF, queimaram. Isso, lógico, antes deles chegarem até nós (guiados por, adivinhe? Uma LANTERNA). Agora imagine a cena:

*no meio do nada – NADA mesmo;
*frio, muito frio, vento assoviava;
*totalmente escuro;
*ouvindo barulho de máquina, procurando as luzes dessa tal máquina (que nós esperávamos que fosse o trator) e NÃO ACHANDO as luzes!!

Dá pra imaginar que a gente já tava rezando até pra nossa senhora do jarro-de-barro², né? Foi horrível. Eu não sei descrever o pânico. Tudo passava pela nossa cabeça: seqüestro, conspiração (?), vingança (?), E.T.s, o lado negro da força, e por aí vai.

Eu fiquei toda “puta que pariu³, hein, esse cara tem que ir pro meio do inferno, credo, vai ser inútil assim na “fazenda do caralho”...” E meu pai já veio todo pacífico: “ah Samya, não fala assim, o cara é um pobre-bicho que só tem o ensino fundamental, criado pra fora³¹, com os pés no barro...”

Agora, faça-me o favor: Se o cara não morasse lá, se ele não tivesse o mínimo de noção do que se faz numa fazenda, em determinadas situações, tudo bem! Eu ficaria até conformada, perdoaria. Mas poxa, o cara MORA NO CAMPO! Ele tem que ter, no mínimo, consciência de medidas básicas e de precaução que se deve tomar. E claro, sem contar que ele deveria conhecer o lugar que ele recebe dinheiro para cuidar.

Ah gente, pára. Nessas situações é brabo o negócio: O cara é um coitado, ta certo. A gente até dá um desconto por isso. Mas... Se eu tivesse pedido pra ele resolver indeterminações tipo “zero elevado a zero”³²..., mas bah tchê³³, ele devia saber que pra tirar uma caminhonete atolada se usa algo resistente, porque NUNCA uma cordinha vai puxar uma tonelada-e-lá-se-vai-pedrada³³¹.

Fiquei de cara. Mas cheguei sã e salva em casa. Claro que cheia de barro nos tênis, mas ‘glad to be home’

¹ “tu acha” – concordância zero. Gaúcho fala assim, além de que, pra
nós, plural é só acima de doze. Até onze é “dez pão”, “três casa” e etc.
² isso não existe (eu acho), não é regionalismo... é coisa-de-samya mesmo.
³ aqui a gente usa muito palavrão. MUITO. Principalmente quando o assunto é algo bem “fazenda” mesmo.
³¹ “ir pra fora” é “ir pra fazenda”. Aqui “pra fora” é “no campo”.
³² é UM, por convenção.
³³ “mas bah tchê” – não tem explicação. É “mas bah tchê” e ponto final.
³³¹ quando o número é alto, e/ou impreciso, é “X-e-lá-se-vai-pedrada”, não me perguntem o porquê.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Existe quem não entenda nadinha de moda...


... e ainda assim consiga ser feliz com o guarda roupas? SIM.

Sempre gostei muito das aparências. Confesso ser muito fútil, e incrívelmente preconceituosa com pessoas que não sabem combinar a meia com o sapato. Não tenho nenhuma inclinaçãozinha para a moda, nunca tive muito interesse. Costumo seguir o mesmo estilo sempre (neste texto eu conto como descobri isso!), adaptando um pouquinho, para nunca ficar cafona, é claro.

Recebo este tipo de elogio de amigas que entendem um pouquinho mais deste mundo lindo da moda do que eu: “Tu tens estilo próprio!” ou “Tu és firme e decidida no que diz respeito a roupas!” – Sempre amei! Fico me achando uma pessoa linda...RÁ! Até o dia em que ouvi algo tipo: “Gosto do jeito que tu te vestes porque tu nunca segues uma única linha, e ao mesmo tempo andas numa única estrada”. AÍ EU FIQUEI CONFUSA, AMIGA! Depois de alguma explicação eu “meio que entendi”.

Desde bem pequenininha, segundo minha mãe, eu sou meio perua. Claro que toda criança tem uma fase em que adora vestir roupas da mãe, usar os batons, - até mesmo os meninos! – perfumes e acessórios... Mas ela diz que eu sempre fui assim, sempre! Pois bem, cresci e continuo adorando o estilo da minha mãe. Ela tem muito bom gosto, consegue ser clássica e moderna no mesmo dia, mas sempre dentro de um padrão de elegância. E continuo, até hoje, pegando as roupas dela emprestadas. Mas os sapatos... Ah, os sapatos! Minha mãe tem sapatos lindos, lindos demais...

Continuando (já estava babando pelos sapatos da minha mãe)... Eu continuo sendo a mesma pessoa, desde sempre, mas consigo manter equilibrados dois ou três “sub-estilos” dentro de um só. Parei pra pensar, e é a mais pura verdade: Eu simplesmente NÃO CONSIGO adotar modismos. Não dá! Me dói! Posso usar uns elementos “tendência” dentro do meu próprio estilo, mas não passa de um toquezinho de coisas diferentes aqui e ali, de vez em quando.

Sabe, ao contrário do que vocês devem estar pensando, eu não me sinto insegura quanto ao guarda roupas. Parece mentira, mas poucas vezes senti algum tipo de ‘medo de ser cafona e não perceber’. Acho que é porque mesmo que eu saiba que muuuitas pessoas devem me olhar e odiar minhas roupas, eu tenho consciência de que visto somente o que gosto, quando estou afim. Não tenho medo de ser extravagante demais. Aliás, eu sempre fui meio extravagante, salvo nos dias em que estou super bem humorada: aí uso tênis! (isso é um indicador de humor para os meus amigos.)

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Obrigada por lerem meu texto



"Bons tempos aqueles em que os alunos me traziam maçãs". Isto eu suponho ter sido uma metáfora que uma professora minha usou hoje para nos lembrar de que um dia o mundo já foi bem mais cordial.

Nós nem paramos para pensar nisso, mas é uma verdade. Hoje, por mais educados que sejamos, jamais chegaremos ao nível de educação dos cavalheiros de antigamente. Usamos "obrigado" e "por favor" com menos freqüência. Também fazemos menos favores, e achamos que alguém está "abusando da nossa paciência" mais facilmente.

Nós não nos importamos com a pessoa que nos responde uma pergunta, com o rapaz que recolhe os pratos da mesa onde almoçamos, com o cabeleireiro, o feirante, etc. É claro que algumas pessoas agradecem de verdade e com um sorriso no rosto, mas pelo que eu vejo a maioria tem tanta pressa e tantas preocupações que acaba não tendo tempo ou paciência para ser educado.

A pressa é um grande problema moderno, e isso é freqüentemente abordado pelos meios de comunicação. Mas eles geralmente abordam o assunto visando alertar para o stress, não para a falta de educação. Esta anda realmente esquecida.

Deveria existir uma campanha de conscientização da necessidade de boa educação na sociedade. Nem nas escolas ela é trabalhada atualmente! É assustador pensar em escola sem aquela obrigação imposta pelos professores de ser bem educado sempre. O que eu antigamente achava um saco, mas agora vejo que faz falta.

Pensa nisso, galera. Ninguém precisa ser bajulador, mas ser legal não custa nada.


* Samya é uma daquelas "acadêmicas de todos os cursos", indecisa e perdida, que acha que não deveria ter agradecido porra nenhuma ao psicólogo que lhe aplicou os testes vocacionais. Que legal?