
Este maço de cigarros
Num dia cinza
Que te faz pensar nos amigos
Desperdiçados
Por palavras que tu disseste
Nada mais é do que um caminho
Para longe
Para fora da tua escuridão
Que na verdade não acaba
É infinita dor que te amarra
Ontem, numa aula de ciência política, eu ouvi do meu professor que nós estamos numa faculdade de direito pra aprender a ter opiniões bem fundamentadas, e também para mudar de opiniões.
Uma aluna ousou discordar dele e disse que jamais mudaria sua visão política, e ele insistiu que assim não se era completo, que deveria se estar apto a mudar sua visão no momento em que se visse que ela não era a correta.
Como assim “correta”?! São os ideais da pessoa, não é um texto que vai fazê-la mudá-los, por mais embasado e convincente que seja este texto.
No momento em que tu solidifica teus ideais eles são pra vida toda, afinal são teus ideais, são as coisas em que tu acredita, é a tua opinião sobre determinado assunto, isso não muda simplesmente por ter lido algo bem fundamentado.
Recentemente tive a oportunidade de ler ‘O caso dos exploradores de cavernas’ onde cinco juizes dão seus votos sobre a condenação ou não dos espeleólogos por terem cometido homicídio e comido a carne do que foi morto, para sobreviver. Desde antes de ler o livro eu já sabia sobre o que se tratava, e eu já tinha uma opinião formada, de que os exploradores jamais deveriam ser considerados culpados, afinal eles estavam numa situação de vida ou morte, era uma situação adversa, onde não valem as leis de onde tu mora e sim as leis naturais que tu mesmo cria através de contratos firmados. É a lei da natureza, é o que se chama de direito natural, jusnaturalismo.
Ler o livro só me fez ter uma opinião mais fundamentada, e nisso eu concordo com o professor, estamos cursando esta faculdade para que possamos ter base para que nossos argumentos sejam bons, mas apesar de ter visto dois votos e meio contrários a posição que eu aceito como correta, e estes votos eram muito bem fundamentados e inclusive criticavam – e muito – o voto que eu aceitei como o que mais se encaixava com o meu pensamento, em momento algum eu pensei em mudar de opinião, por mais criticada que ela tenha sido durante o livro inteiro, afinal é a minha opinião, é o que eu penso sobre o assunto, isso não muda simplesmente lendo uma opinião contrária, porque não há nada que prove que a minha opinião está incorreta, apesar dos argumentos usados para tentar provar que o voto do juiz com o qual me identifiquei era mal embasado.
Ideais não mudam, e se mudam é porque a pessoa tem a cabeça muito fraca.

Tem coisa melhor do que chegar em casa super cansado da faculdade ou do trabalho e ir direto atacar um pote de sorvete?
Quadrado, enorme,
Imagine-se num momento deprê: Você senta, sozinho, com aquele pote de sorvete e uma colher. Todo aquele sentimento de vazio vai embora por um momento, todo o sentimento de perda vai pro espaço, e o que se tem é uma sensação de preenchimento.
Quer coisa melhor que um pote de sorvete junto com uma sessão star wars num final de semana vazio na agenda?
Naquelas manhãs chuvosas detestáveis, abrir a geladeira e se deparar com um potão de sorvete prontinho pra ser devorado, parece que todo o cinza do dia vai embora e te deixa em paz.
Pode ser de flocos, hum, flocos, estalinhos na boca, crocante!
Pode ser de chocolate, morango ou creme, mas JAMAIS os três juntos, afinal, o napolitano não é um sabor aceitável, quando derrete é uma meleca de cor indefinida que pouquíssimas pessoas apreciam como se fosse um néctar divino.
A relação com o pote de sorvete é de companheirismo. Ele te dá todo prazer necessário, e ele só pede um pouquinho de atenção, pedindo pra que você não deixe derreter. Você não precisa de mais ninguém, só do seu pote de sorvete.
Mas cuidado, assim como num namoro, nesse tipo de relação um pode se tornar escravo do outro, e parar de ver pessoas, e passar a ter somente a companhia do outro, o que é muito prejudicial. Toda a vida social vai pro lixo, e você passa a viver em função do pote de sorvete, que pode inclusive te fazer engordar.
Aí, quando você estiver em depressão pós pote de sorvete, quem poderá lhe ajudar?
Um dia bate, assim, inesperado, à sua porta, esse tal hiato criativo.
Você lê e não obtém respostas do próprio cérebro.
Fica esperando, esperando, esperando, incansável.
Mas a idéia simplesmente não vem.
Ela não vem.
Você passa a decepcionar seus antigos leitores, pai, mãe, irmã, amigos.
E o pior: decepciona a si mesmo.
Cadê o antigo escritor que morava na bela rua cheia de flores dentro de você?
Não mora mais? Se mudou para uma rua vazia e escura?
Será que ele volta?
...
Por Samya, quem o hiato criativo conseguiu aprisionar.
Como chegar ao fim
Sem ter ao menos começado?
Fico pensativa assim
Porém sem ter um resultado apontado.
Para chegar ao fim
Precisa-se chagar a metade.
E para chegar à metade, sim,
Precisa-se chegar ao fim da outra metade.
Como saber onde fica a metade no fim contida?
Seguindo caminhos ilusórios traçados cuidadosamente
Procurando a metade da metade, e assim sucessivamente
Nunca conseguiria sair do lugar de partida.
A janela molhada
O primeiro cigarro aceso na sacada
As gotas caindo da folha da planta
A avenida lotada logo cedo
Os táxis todos fora do ponto
As pessoas correndo
Um almoço marcado para o meio dia
Que pode ser atrasado para a uma hora
Que pode ser arruinado pelo bad hair day.
O que a gente espera de uma manhã chuvosa?
A gente espera o sol.
E só.
Na esperança de que brilhe e esquente tudo.
Para que a avenida volte ao normal
Os táxis voltem ao ponto
As plantas sequem
E o cabelo fique lindo e solto.
Só o sol.

Você pode estar namorando há dez anos ou há dois meses, isso não importa, mas talvez você ainda não saiba a real diferença entre fazer amor e fazer sexo.
Está nas músicas que vocês ouvem [ou não] durante a relação;
Está em reparar nas pequenas coisas ao redor de vocês, como a janela embaçada, típica cena de filme;
Está nos olhares;
Está nos beijos – ou ausência deles;
Está em saber dizer se foi amor ou não – e principalmente nisso.
As relações são tão frias hoje em dia, perderam o romantismo, e com isso perdeu-se o hábito de fazer amor. Hoje em dia o que importa é transar. Com o maior número de pessoas possível, no maior número de lugares inusitados possível.
Perdeu a graça. Tudo perde a graça quando perde o romantismo.
Hoje, chegar numa balada e tomar algo forte, incorporar um personagem e sair “pegando todo mundo” soa legal. Mas só soa legal porque você não sabe o que é fazer amor.

Por que é que algumas pessoas não conseguem sair da estaca zero? Por que é que algumas pessoas não conseguem simplesmente dar uma melhoradinha sequer?
Insistem em ter a cabeça sempre vazia, e como se não bastasse, insistem em achar que a gente tem a obrigação de agüentar suas cabeças vazias.
Se é pra vir sempre com os mesmos “ai ais”, “beijos querida” falsidade, papo furado pra cá e lenga lenga batido pra lá, então... NÃO VEM.
O que têm na cabeça essas pessoas que esperam consideração da minha parte no meio da madrugada, após semanas sem me acrescentar nada, e pior, me incomodando, sendo que eu deixo BEM claro que me incomodam?
As pessoas não deveriam existir.
Eu odeio as pessoas.
Odeio.
Mesmo.

Eu hoje acordei triste.
Há certos dias
Em que sinto esta mesma sensação.
E não sei explicar qual a razão
Porque as mãos com que escrevo estão frias.
E pergunto a mim mesmo: “Tu não rias inda ontem tão feliz?
Diz-me, então, por que sentes pulsar teu coração
Destoando das humanas alegrias?”
E nem eu mesmo sei dizer
Porque estou triste.
Quem me olha não calcula, com certeza,
O imenso caos que no meu peito existe.
A tristeza que eu sinto ninguém vê.
É a maior das tristezas
É a tristeza que a gente sente sem saber por quê.

Eu nunca critiquei as pessoas que acreditam em Deus, ou em alguma força maior.
Eu só gostaria de fazer uma pergunta, uma única, neste momento:
Cadê Deus, que não impediu a tragédia do vôo 3054?
Momento reflexão:
Quantas pessoas mortas, Deus?
Quantas famílias com uma dor sem tamanho?
Pessoas brilhantes a bordo daquele vôo.
Onde você estava, Deus?

Isso acontece muito mais frequentemente do que nós gostaríamos. As pessoas que nós ajudamos com o maior prazer nos viram as costas, ingratas.
Nós costumamos ficar com raiva, xingar, até brigar e cortar relações. Mas nada disso vale a pena. Não vale a pena.
Existe uma coisa, que muita gente vai ficar pensando que é besteira, que as avós já diziam que funciona: deixe para o tempo resolver.
Esta pessoa ainda vai levar uma bela de uma rasteira da vida. Nem precisa ser da vida: Pode ser de um priminho de cinco anos dela. E cair de cara no chão, quebrar o nariz, ficar deformada pro resto da vida, que nem com quatro cirurgias plásticas resolva.
Pode começar a contar os minutos.
