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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Bom Tempo.




Limpei a casa, esbarrei na estante e,
caiu-me o retrato em pedaços.
Cacos catados e arrumados,
no lugar de antes, um espaço.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

DES ABAFO

Hoje é 03 de abril. HOJE SÃO três de abril. Tanto faz. Tanto faz? É, não sabia? Que eu saiba não! Mas tanto faz, porra! Tanto faz nada! Então tá. Ficou bravo? Não fiquei, só que tanto faz. Se tanto faz, por que ficar tão bravo? Pela correção desnecessária. Se é desnecessária por que a raiva? …. Vamos sair hoje? Não sei, você quer? Quero. Pra onde quer ir? Tanto faz. Ai caralho! Qualquer lugar pra mim tá bom. Qualquer lugar? É, tanto faz! Vamos ao cinema. Ah não, cinema não! Teatro? Ah, não. Caralho então porque você disse que tanto faz o lugar que vamos? Porque tanto faz, desde que não seja o cinema e o teatro. Então você escolhe. Ok, eu escolho.

É aí que você vai para num restaurante japonês caríssimo e morre em R$ 200,00.

domingo, 5 de agosto de 2007

Era de Capricórnio.


Percebo as coisas subentendidas, pelo menos em minha cabeça paranóica esta é a impressão predominante. No mundo globalizado onde a tecnologia permite conversas instantâneas não importa a que distância estejamos, me reservo a não comunicação. Apenas ao subliminar das relações humanas. Remeto-me aos períodos anteriores à invenção da luz, e todo resto que hoje rotulamos essencial, para época em que ordenhar vacas era ato heróico e digno de admiração, onde o escuro do céu tinha um valor ao ser colorido pelo sol nascente.

Sou um homem fora de meu tempo, você deve estar pensando. Creio que sim. Gosto do antigo, daquilo que outras pessoas já viveram. Consigo comprar tudo que curto em antiquários e sebos, 90% das pessoas que gosto de escutar cantando, morreram; os 10% sobreviventes não se sentem muito bem, como eu.

Saudosista de uma época que não vivi.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

E assim, aprenda....



Falam dos homens que mentem, a verdade. Por que mentes?, dizem em coro. Ah, que vergonha nós temos dos mentirosos. Mentir é feio, meu filho. A mãe nunca mentiu. Para onde vão as pessoas quando morrem? Ao céu, dizem. Ficam sentadas à direita de deus pai todo poderoso, criador do céu e da terra. Quantos lugares temos ao céu? O maracanã é lotado. O Céu é maracanã. Todos com lugares direitos, com um deus à esquerda que bisbilhota a vida dos homens. É sim, e nossa senhora deu a luz ao menino Jesus, virgem, sabia? Foi aí que começou o pecado e todo o resto? Não houve pecado alí, pureza. O pecado nasce com Eva, a mulher de Adão, homem sem umbigo. O que comeu a maçã? Isso, a cobra, o diabo, e por isso estamos aqui. Na merda? Não, no mundo.

E tudo começa a fazer sentido.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Você sabe do que estou falando...


Você sabe muito bem do que eu estou falando!

Sei?

Por que as pessoas sempre acham que você sabe do que elas estão falando?

Caralho! Não faço a menor porra da idéia do que você está falando. Dentre o seu universo de nóias e coisas negativas, entre um milhão de possibilidades de enxergar o mundo, por que teria eu a obrigação de enxergá-lo como você? Isso, só para que ter certeza absoluta do que você está falando. Já parou pra pensar sobre isto?

Não, não senhor. Pode ir parando com esse papinho, você sempre faz isso.

Isso o quê?

Isso que você faz. Que nem aquele dia que voltávamos da casa da Marcela, você fez a mesma coisa, exatamente a mesma coisa.

Como se pode fazer uma coisa que não sabe nem o que é? Como repetir o erro ou algo desagradável, quando inexistente? Me diz!

Tá vendo? É disso que eu estou falando, e você diz que não sabe.

Você que tem essa mania de achar que eu sempre sei do que você está falando, que o mudo tem a obrigação de sabê-lo também, e que estamos todos errados por conta disso. Eu, você e o mundo.

Há, vai dizer que você não sabe.

Sabe do que eu tenho mais medo?

Do que?

Só tem uma frase sua que me faz temer mais que esse troço de “Você sabe do que eu estou falando!”.

Ah é? E qual é?

É a maldita: Você não vê nada de diferente em mim!? ...(pausa dramática)...Viu? Tenho certeza que você sabe do que eu estou falando.

Depois disso, foram cinco minutos de silêncio ininterrupto na mesa da lanchonete. Camila dobrava guardanapos, e Carlos fumava olhando a chuva que caía lá fora, até que alguém na mesa ao lado quebrou o silêncio com um canudo: chupou rápido todo o líquido de coca num copo cheio de gelo, que gritou.

domingo, 24 de junho de 2007

STELLA



Stella tem olhos vivos, destes que vêem o mundo.
Os meus são apenas orelhas, que escutam Stella.

Os dedos delgados por hora gesticulam, como se as dez pontas prolongadas do corpo contassem a mesma história, e contam.
Neles ainda se percebe o brilho de gordura deixada na ponta pelo frango-a-passarinho, e dos alhos torrados catados com real destreza pelas unhas coloridas.
Enquanto que, na boca, Marx escreve o capital.

A boca colorida e brilhosa se abre e fecha, tem um ritmo conexo, musical, que lembra o carnaval; o pecado; a maçã, e por fim a serpente, voltando ao pecado.
E assim vai...

Enquanto o chope esquenta, aprecio o concerto da boca de Stella, o balé de seus dedos, e, claro, Marx no meio de tudo isso.

Stella fuma.
Stella faz Marx parecer tão simples!
.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Não sou eu quem escreve. Eu sou a tela.


Eu tenho que escrever dois textos, acabei de descobrir isto, e estou cansado, com bafo e bunda suada, então não phodam minha paciência, ok?

Ontem eu andava com uma sensação super boa, e tudo graças a vocês, meus amigos desconhecidos. Voltei a escrever, e como sempre que volto a escrever, voltei a ler Fernando Pessoa. Este post é para ele.

Faz tempo, ganhei um livro do Pessoa, de aniversário. Para mim, que tenho a porra da obra toda dele numa edição portuguesa em papel bíblia, ao ver o presente repetido, fiz uma cara de cu; um cu feliz, mas ainda assim na materialidade original, um cu.
No entanto, a pessoa que me deu o presente era uma amiga dessas de muito tempo, talvez a primeira de todas, e que tem uma importância imensa na minha vida.

Pois bem, o livro que eu ganhei é muito melhor pra levar no ônibus, uma vez que menor, e, por isso, a verdade é que foi um puta presente foda, que hoje eu levo em baixo ‘da suvaca’ para todos os cantos em que perambulo.

Enfim, enrolei, enrolei, enrolei pra chegar aqui e falar sobre dedicatórias:

Elas são as coisas mais fantásticas que uma pessoa pode ganhar de presente.
Na minha humilde opinião, o presente é a dedicatória, o livro só a acompanha. Levo tanto em consideração a importância da dedicatória, que já levei livros de sebo apenas por causa delas.

Minha imaginação voa quando abro a primeira página do livro e me deparo com elas, fico pensando na pessoa que deu o livro, se estava comendo aquela que ganhou ou se apenas gostava profundamente; se casaram; se tiveram filhos; se hoje estão vivas; se morreram e alguém mercenário vendeu a porra do livro, ou se o livro era, de fato, uma merda, e a pessoa que presenteou, uma mala sem alça que merecia ser esquecida.

Devaneios à parte, já comprei livros muito bons por causa da dedicatória que havia neles, já me fodi várias vezes também, e tive certeza absoluta do grau de chatice da pessoa que presenteou, e até já comprei livros repetitivos, só por causa dos carinhos em letras mal feitas.

A verdade, maniqueisticamente falando, é que a linha de raciocínio para escrever este texto foi: Tenho que escrever para que legal zine ---> felicidade por voltar a escrever ---> felicidade por voltar a ler Pessoa ---> dedicatória do livro do Pessoa ---> dedicatórias ---> a dedicatória que mais gostei até hoje encontrada num sebo chulé do centro do rio, que segue:
“Para Carla, a menina que sempre me fez sonhar.
Saiba que as estrelas continuarão a brilhar no céu, apesar de tudo...
Elas sempre estarão lá, nada mudou, nada nunca muda.
Sérgio 13.05.72”

(Encontrado numa edição em sépia de “Olhai os Lírios do Campo”, do Érico Veríssimo).

Vgekdeguiko é uma pessoa que, no momento, fede, e, por isso, foi tomar um banhinho pensando quão fantástico deve ser ganhar uma dedicatória do Pessoa.

domingo, 10 de junho de 2007

Charles Bronson e a formação do caráter



O filme é Justiça Selvagem que data de 1984. Onde você estava em 1984?

Bom, eu mal tinha acabado de chegar ao mundo e o Charles já andava por aí amarrando mangueira de incêndio no pescoço das pessoas e as jogando do 12º andar.

Como perdemos tempo nessa vida!

Charles é uma dessas figuras peculiares. Desde criança minha admiração por ele era imensa. Havia o duro de matar que nunca morria, I, II, III, e IV que passavam no Domingo Maior depois do Fantástico, e eu, moleque que era, assistia escondido com volume baixinho da TV para que Dona Maria Luisa não descobrisse e me comesse no esporro.

No entanto, o tempo passou, hoje eu tenho 22 anos e, acreditem, fazia o maior tempão que eu não via o Charles por aí.

Quando a saudade apertava no peito, eu me atracava com o Era Uma vez no Oeste, DVD que tenho em casa, no qual ele interpreta o Harmônica. Porém, esse enterro da saudade não tinha a o gostinho "vandárdigo" dos encontros casuais de outrora.

Hoje, nesse dia (que dia é hoje?), Charles e eu nos encontramos por acaso. Passava na TV o tal da Justiça Selvagem em que rola os lances da mangueira, varanda, pescoço, México, cocaína, bigode etc... E, meio que por um minuto, várias memórias infantis vieram à tona na minha cabeça vazia, como assistir filme escondido; querer ter bigode, brincar de assassinar os priminhos mais novos com tiros de 12, e coisas do tipo... foi bacana.

Nossa, Charles Bronson foi muito importante para a formação do meu caráter.

Musica da semana: Jane e Herondi- Não se vá!

Hobby da semana: Comprar absorvente para a menina loira.

Youtube da semana: Once upon a Time in the West - Theatrical Trailer


sou triste por nunca ter enforcado ninguém com uma mangueira e atirado um corpo do 12° andar, embora muitas pessoas mereçam o agrado.