quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Querer


O amor pra mim é querer.

Querer alguém que não te quer.

Ser querido por alguém que você não quer.

Querer querer alguém que te quer mas você não consegue querer de volta.

Saber que você é tudo para alguém, que a pessoa daria tudo pra ficar com você, cuidar de você, ser cuidada e simplesmente sentar e ser feliz até os sessenta e quatro anos, tomando uma garrafa de vinho e tricotando perto da lareira. E querer querer a pessoa. E querer gostar, querer querer cuidar. E querer querer ser cuidado. Querer querer amar. E não poder.

E querer alguém que não te quer, que não pode te querer, que pode até querer te querer mas não consegue. Te faz se sentir o piolho da pulga no capacho. E você não quer querer, você não quer querer que a pessoa te queira, mas é impossível deixar de querer a pessoa, deixar de querer que ela te queira.

E aquele que não quer, sempre machuca, mesmo não querendo. Ou às vezes machuca porque quer.


Deve existir um outro tipo de amor.

Um amor onde aquele que quer também é querido.

Mas esse eu não conheço.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Sanguinho novo no blog!



Se joga, Mari!

domingo, 7 de setembro de 2008

7 de Setembro

Um 'olá' especial para os brasileiros. Hoje é 7 de Setembro e tô aqui pra mais um post nacionalista(?). Mas não quero falar sobre história do Brasil, quero lembrar de algo mais recente, as Olimpíadas. Mas antes, quero lembrar também de algo menos recente, A Guerra Fria. Todos sabemos que na Guerra Fria, os jogos olímpicos eram mais um instrumento de propaganda nacionalista em que os poderosos mostravam para o mundo o potencial do seu povo e do seu país. Se considerarmos esse pensamento nos dias de hoje (e depois do desempenho da China, vejo que esse pensamente ainda não desapareceu), verificamos que o Brasil ficou atrás de grandes potências (heheheh) como o Quênia e a Etiópia, disputando palmo a palmo contra países como Zimbábue e Mongólia um lugar melhor no ranking:



(quadro da uol)

Inspirado pelo pensamento da Guerra Fria e pelo desempenho do Brasil nas Olimpíadas, eu fiz uma pequena intervenção num conhecido poema de Manuel Bandeira. Ficou assim:

Vou-me embora pra Etiópia

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a medalha de ouro que tanto quero

Na modalidade que escolherei

...

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pódio em primeiro

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pro Quênia

Lembro um professor de história dizer que para entendermos com facilidade a história do Brasil era só pensar nos poderosos 'colocando no cu dos não poderosos' (claro que com outras palavras). Então você leitor pode usar mais ou menos dessa ideía para continuar esse poema ou para entender melhor porque o Brasil não ficou nem entre os 10 primeiros sendo que estamos entre as 10 maiores economias mundiais. Mas agora sem ironia, quero paranabenizar os atletas que conseguiram alguma medalha ou simplesmente se classificar para os jogos. Eu fui aluno de escola pública, já participei de eventos esportivos financiados pelo Estado e pude verificar a precariedade do apoio que Estado fornece para o Esporte. Vai lá Brasil, tô aqui rezando.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Índias



Existe uma mulher que ainda é livre no mundo.
Essa mulher é a índia.
É a única mulher que ainda não se perdeu na neurose de ser a mais bonita, a mais atraente, a mais sexy , a com melhor vida sexual, a mais gostosa, a mais desejada , a mais qualquer coisa.
Elas apenas vivem, e expõem seus corpos livremente, corpos estes anos-luz longe de serem o corpo de uma Jessica Alba, e por isso mesmo tão perfeitos. Vivem sua naturalidade plenamente, sem qualquer malícia, sem qualquer competição débil e invejosa por um macho . Apenas vivem. Suas pinturas , seus cabelos, estão mais atrelados a uma tradição tribal do que a um intuito de atrair o sexo oposto.
Porque as índias, que não foram corruptas pela brutalidade da cultura ocidental, sabem que , antes de serem objetos sexuais masculinos , elas são MULHERES. Mulheres que devem participar da sociedade, que devem expressar suas opiniões na comunidade em que vivem , trabalhar, viver em coletivo , INFORMAREM-SE A RESPEITO DE TUDO QUE PUDEREM , e não viverem presas a um mundinho fútil e infeliz em que os assuntos giram a respeito do cara que elas vão pegar ou já pegaram, da chapinha que vão fazer ou já fizeram , da menina bonita da sala ou da menina ridícula da sala.
Todas as mulheres ocidentais deveriam nesse momento tomar vergonha na cara e verem o quanto são ridículas, o quanto são imersas em inveja , competição e desespero. O quanto saem de casa desesperadas para serem notadas pelos outros homens, mas, principalmente , pelas outras mulheres. Enfim, o quanto são medíocres e cegas, pois não enxergam o quanto estão presas às suas próprias vaidades, próprios desesperos, ganâncias e narcisismos.

Existe uma mulher que ainda é livre no mundo.
Essa mulher é a índia.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Tundra's Echos of Folk Lore


Fechando a série ‘Cansei de músicas americanas e letras em inglês’ disponibilizo aqui a prometida ‘Coletânea Legal #2 do Felipe – Tundra’s Echos of Folk Lore’. As músicas são calmas e bonitas, a maioria com vocais masculinos graves e limpos. Selecionei músicas que podem ser ouvidas pelo mais fiel fã de blackmetal até o mais descolado rocker moderninho. Até sua avozinha pode acabar gostando dessa compilação. Se você odiar, você deve ser micareteiro, fã de Fratellis ou teu cérebro definhou devido ao monopólio do mainstream. Eis a congelante tracklist:

1. Isengard – Landet og Havet
2. Ulver - Kledt I Nattens Farger
3. Ulver – UlvsBlakk
4. Falkenbach - ...the ardent awaited land... (sim, essa é em inglês)
5. Vintersorg – Straolar
6. Otyg - Mossfrum Kolnar
7. Empyrium – Nebel
8. Empyrium - Fortgang

Olhando pra essa tracklist, percebo que juntei algo precioso, portanto, novamente, façam bom proveito. Link: http://rapidshare.com/files/132267789/Tundra_s_Echos_of_Folk_Lore.rar.html

terça-feira, 22 de julho de 2008

Da série: 'cansei de músicas americanas e letras em inglês'.


‘Gypsy Spaghetti for the Puerto Rico’s Sultan’ é a nova ‘Coletânea Legal do Felipe’ que apresento aqui para vocês leitores desse blog que assim como eu, sentem-se um pouco saturados com enlatados norte americanos e letras em inglês. Você que procurou ouvir Amy Winehouse ou Sigur Rós para sair um pouco da rotina, mas acabou cedendo aos impulsos da repetição desenfreada de músicas, pode agora viciar-se em algo que ainda (acho) não é so last week. A compilação conta com músicas em árabe, lombardo e espanhol... de inglês só tem o título, primeiro porque meu espanhol es muy fueda e depois porque se eu escrevesse em tupi ninguém entenderia bulhufas. Não fique com medo de degustar esse prato cheio, você só precisa ser um pouquinho open minded para provar, se eu que escuto blackmetal e adoro os artistas dessa coletânea você têm grandes chances de gostar. Não é rock, nem metal, nem indie, nem bossa nova, nem folk e nem punk... são músicas de qualidade que podem ajudar muito você a sair da fossa dançando. Eis a exótica tracklist:

1. Thierry “Titi” Robin – Rumba do vesou II
2. Thierry “Titi” Robin – Mehdi
3. Davide Van De Sfroos – Madame Falena
4. Davide Van De Sfroos – Paradiso dello Scorpione
5. Amr Diab – Nour Alain
6. Cheb Mami – Tzazae
7. Taha, Khale e Faudel – Les Ailes
8. Don Omar – Guyaquil

Metade dos artistas dessa coletânea, foi meu amigo Vinícius "Jango" que me indicou anos atrás, então dedico esse post a ele. Devo dizer também que já estou com ciúmes de compartilhar essas músicas com vocês, então façam bom proveito, hehehe. Segue o link:
Já estou progamando meu próximo post que será a coletânea Escandinavian Folk, chutando pra longe a hipocrisia porque hoje baixamos mp3 até em blog de culinária. Abraços.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

से उम् विअजनते एम् उमा नोइते दे इन्वेर्नो *

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Pela segunda vez eu tento ler esse livro do Italo Calvino. Gosto muito da maneira que o Calvino escreve e seu texto é ótimo mas esse livro é um martírio para mim. Começo a acreditar que para ler 'Se um viajante em uma noite de inverno' você necessite de uma boa vontade imensa! Agora entendo uma prima minha, para quem eu emprestei o livro 'Suave é a noite' do F. Scott Fitzgerald, que levou uma vida para lê-lo. Não conseguia entender como uma pessoa como ela - que lê um livro em dois dias - estava demorando dois meses para ler Fitzgerald que é maravilhoso. Nem ela conseguia explicar mas conseguiu terminar o livro e o achou lindo. Acho difícil o Calvino me decepcionar - tanto que ainda continuo lendo o livro! - mas espero terminar esse livro e descobri-lo realmente fantástico.

Não dá para dizer do que o livro se trata.
Não dá para fazer uma sinopse da história até onde eu li.
Esse é o primeiro livro que eu leio e que eu não sei explicar sobre ele... mentira, teve o 'Catatau' do Paulo Lemiski.
Então, esse é o segundo livro que eu não sei explicar sobre o que se trata. Na verdade daria até para dar uma idéia mas isso mataria o início do livro para quem pretende lê-lo e também porque tudo pode mudar drasticamente nas próximas páginas.

Uma coisa que eu posso escrever aqui sem causar danos a leitura é a lista que está no início do livro, no primeiro capítulo. O autor fez um levantamento dos 'tipos' de livros que existem. E percebi que, inconsciente, eu também divido os livros que eu conheço dentro desses critérios.

Algumas categorias que o autor apontou:

- Livros cuja a leitura é dispensável;
- Livros para outros usos que não a leitura;
- Livros já lidos sem que seja necessário abri-los;
- Livros já lidos antes mesmo de terem sido escritos;
- Livros que, se você tivesse mais vidas para viver, certamente leria de boa vontade, mas infelizmente os dias que lhe restam para viver não são tantos assim;
- Livros que tem a intenção de ler mas antes deve ler outros;
- Livros demasiado caros que podem esperar para ser comprados quando forem revendidos pela metade do preço;
- Livros que poderia pedir emprestados a alguém;
- Livros que todo mundo leu e é como se você também os tivesse lido;
- Livros que há tempos você pretende ler;
- Livros que procurou durante vários anos sem ter encontrado;
- Livros que dizem respeito a algo que o ocupa neste momento;
- Livros que deseja adquirir para ter por perto em qualquer circunstância;
- Livros que gostaria de separar para ler neste verão;
- Livros que lhe faltam para colocar ao lado de outros em sua estante;
- Livros que de repente lhe inspiram uma curiosidade frenética e não claramente justificada;
- Livros que você leu há muito tempo e que já seria hora de reler;
- Livros que sempre fingiu ter lido e que já seria hora de decidir-se a lê-los realmente.

Não sei vocês mas eu consegui colocar uma porrada de livros nas categorias acima. Espero, com afinco, não exilar o 'Se um viajante em uma noite de inverno' na última citada...





* Gente, não faço idéia que língua seja essa mas o título desse texto é 'Se um viajante em uma noite de inverno'.