quinta-feira, 12 de julho de 2007

Sobre os relacionamentos à distância.


Quando nos relacionamos a distância é porque queremos distância.
Certo ou errado? Certo.
Deve ter muita gente pensando: “Ela ficou louca. Eu conheci o fulano no chat, nos amamos, e é uma infelicidade morarmos longe, queremos muito morar mais perto.”
Não é verdade. As pessoas procuram a distância. Não é a distância que chega até elas milagrosamente.
Procurar a distância é uma estratégia pra se proteger. Se proteger da dor, eu acho. A dor da convivência, a dor da traição, a dor de enjoar, a dor da despedida, a dor do fim.
À distância é tudo mais fácil, é tudo mais supérfluo, é tudo mais irreal.
Conviver à distância não envolve aturar a pessoa no seu dia-a-dia, cara a cara. (ficou estranho isso, né?) Não envolve conviver com a família da pessoa, não envolve uma grande aproximação, o que, de fato, envolve muita cautela.
Conviver à distância é o que o próprio nome sugere: conviver à distância.
Ninguém consegue enxergar que faz isso como a procura por um escudo. Acha que é uma mera coincidência, uma má sorte, o fato de a pessoa amada morar longe.
Se as pessoas que namoram através da internet forem analisar o porquê de elas namorarem desta maneira, elas perceberão que elas procuraram isto! E que eu não estou falando nada além da verdade.
A parte de admitir a existência de uma grande fragilidade que precisa ser superada para poder enfrentar um relacionamento de verdade é muito difícil. E a maioria das pessoas que me lêem vai preferir continuar me achando louca, mas que as pessoas estão cada vez mais, de fato, procurando a distância, elas estão. E o porquê nós sabemos, muitos apenas não querem enxergar.

Crônicas de meus assaltos



A primeira vez que fui assaltado foi aos 13 anos, numa pracinha perto de casa. Minha vizinha passou do outro lado da rua e me deu tchauzinho e minha empregada me censurava pela janela achando que estava fazendo amizade com más companhias. Se eu fosse mais sagaz nessa época teria sido fácil escapar do assalto, mas eu com todo meu pavor e inexperiência da época entreguei meu tênis, carteira e relógio sem nenhuma objeção.

O segundo veio muitos anos depois, se não me engano aos 19, e sem dúvidas foi o mais inusitado. Estava descendo do ônibus quando um sujeito me parou e perguntou que horas eram. Eu respondi e fui andando. Um pouco mais adiante ele me parou e me pediu 1 real, eu disse que não tinha. Mentira, mas acho esse povo que pede dinheiro um bando de preguiçosos e acho um absurdo ficar sustentando pedintes. Flanelinhas conseguem ainda ser mais irritantes, mas isso pode ser assunto para outro texto. Bem o sujeito teve a audácia de dizer que duvidava que eu não tivesse 1 real e que iria me dar uma facada na barriga se eu não desse minha carteira para ele. E eu, na mesma cara de pau, disse que duvidava que ele tivesse uma faca e saí andando. Ele ficou pasmo parado um tempo depois correu atrás de mim e disse que estava só brincando e queria saber onde ficava a Rua Santo Antônio. Eu mostrei a ele e voltei pra casa. Chegando lá minha pressão caiu e eu decidi nunca mais agir de forma tão destemida assim.

Mais recentemente fui assaltado novamente, há cerca de um mês atrás. Estava voltando de uma chopada, bêbado que nem uma porca, e eu tenho uma péssima mania de quando estou bêbado e desanimado com a festa, vou embora sozinho, sem avisar ninguém. O problema é que estava num lugar perigoso muito longe do centro, ainda tomei a péssima decisão de voltar de ônibus. Num tem como quantificar a burrice que fiz aquele dia, mas foi muita! Era como sair andando pela rua com uma plaquinha escrito “Me assaltem” levantada. Aí num deu outra, nem cheguei ao ponto de ônibus e tomei uma rasteira por trás e me cataram celular e carteira. Senti-me como aquelas zebras do Discovery Channel, que estão tomando água tranquilamente num lago quando são surpreendidas pela mordida de um crocodilo.

Não bastando eu levantei e comecei a gritar para que devolvessem meus documentos. Logo após surge um segundo bando com um carinha falando “Pó véi, cataram seus documentos? Mas que babaquice essa! Vou pegar com eles de volta pra você”. Não deu nem tempo de agradecer quando tomei uma segunda rasteira e me tomam tênis e relógio”.

Depois desse segundo assalto em menos de 10 minutos fiquei jogado no chão um tempo quando uma garota da gangue volta com meus documentos e pergunta se eu não queria mais algo. Eu quase pedi um copinho de água com açúcar porque estava muito nervoso, mas decidi deixar pra lá. Encontrei uma amigas, liguei pro meu pai e voltei para casa.

Domingo de um típico carioca.


caiçaras 011
Originally uploaded by Lara Laçarote
Esse domingo fiz um programa que fez eu me sentir mais carioca ainda. Acordei, tomei café e fui dar uma volta na Lagoa com meu cachorro Pancho, um Bull Terrier que todo mundo chama de Pit Bull e faz cara feia porque não está de mordaça.

Depois fui andando até o Leblon no restaurante Arataca na Cobal. Passei a tarde inteira conversando, bebendo Antartica Original e comendo petiscos tipicamente nordestinos. Tudo isso ao som de uma roda de choro.

Me lembrei das histórias de Vinícius de Moraes que fazia esse mesmo programa aos finais de semana, tirando a parte de passear com cachorro porque ele não era muito de esportes. Ahh e também que ele fazia esse programa em Ipanema, bairro que hoje tem uma rua com seu nome.

Antigamente eu não gostava do Rio. Achava chato. Não entendia porquê tantas pessoas ficam maravilhadas com isso aqui, mas pense bem, tem como resistir à uma paisagem dessas?

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Algo



Hoje eu não quero ir pra casa.
Tu estranho e misterioso,
calmo em teus olhos castanhos,
fez eu querer me achar.
Persegui a vontade de
ter vontade de novo.
Eu pensava e julgava ela excluída.
Dentro de mim ela estava morta.
Dentro de mim nem mais cheirava.
Dentro de mim estava sumida.
Mas tu, estranho,
fez aquilo surgir,
fez despertar.

Novo sonho que começo a sonhar.
Dessa vez não tenho receio,
não tenho receio de errar.
Somos todos errantes
com vontade de amar.
E me enganar?
(Eu não sei mais).

terça-feira, 10 de julho de 2007



Lost Cause* - Beck

Your sorry eyes; they cut through bone
They make it hard to leave you alone
Leave you here wearing your wounds
Waving your guns at somebody new

Baby you're lost
Baby you're lost
Baby you're a lost cause

There's too many people you used to know
They see you coming they see you go
They know your secrets and you know theirs
This town is crazy; nobody cares

Baby you're lost
Baby you're lost
Baby you're a lost cause

I'm tired of fighting
I'm tired of fighting
Fighting for a lost cause

There's a place where you are going
You ain't never been before
No one left to watch your back now
No one standing at your door
That's what you thought love was for

Baby you're lost
Baby you're lost
Baby you're a lost cause

I'm tired of fighting
I'm tired of fighting
Fighting for a lost cause









Sabe quando uma música descreve a sua vida no presente momento?
Pois é...
Obrigada pela compreensão Beck Hansen.
teamobeijosmeliga



* A música 'Lost Cause' está no quinto álbum do Beck: 'Sea Chance'.
Para os perdidos na vida, assim como eu, indico também
a música 'Beautiful Way' do próprio no álbum 'Midnite Vultures'.
Sinceramente, indico toda a obra do homem. Vão lá!

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Adote uma lhama você também.




adopt your own virtual pet!




Lhamas são animais lindos.

São parentes do camelo;

Originárias da América do Sul, vivem na Cordilheira dos Andes;

São úteis porque podemos vestir sua lã, comer sua carne;

E utilizá-las em transportes em trajetos curtos;

São esguios e até domesticáveis.

Mas não brinquem com sua paciência, elas se irritam facilmente e são consideradas o oitavo animal mais furioso do mundo.

Uma lhama é o animal preferido de Carl Wheezer, o melhor amigo do Jimmy Neutron.



Por essas e outras razões, eu adotei uma lhama.

E, melhor, uma lhama vermelha.

domingo, 8 de julho de 2007



"esperando pela morte

como um gato

que vai pular

na cama

sinto muita pena de

minha mulher

ela vai ver este

corpo

rijo e

branco

vai sacudi-lo talvez

sacudi-lo de novo:

"Hank!"

e Hank não vai responder

não é minha morte que me

preocupa, é minha mulher

deixada sozinha com este monte

de coisa

nenhuma.

no entanto

eu quero que ela

saiba

que dormir todas as noites

a seu lado

e mesmo as

discussões mais banais

eram coisas

realmente esplêndidas

e as palavras

difíceis

que sempre tive medo de

dizer

podem agora ser ditas:

eu te

amo."

(Charles Bukowski)



Isso é que é amor de verdade...o resto é novela. E eu quero um desses pra mim.