segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Momento NME



M.I.A. – Kala
Confesso que não gostava da MIA. Em 2005 torci o nariz para ela enquanto o mundo todo admirava sua cd “Arular” e “Bucky Done Gun” freqüentava as paradas de sucesso das rádios. Para mim era uma comoção besta da crítica estrangeira dessa artista que considerava exótico uma artista usar samples de “Brazilian funk” em suas musicas, já para nós brasileiros não havia novidade nenhuma nesse som. Dois anos se passaram e MIA volta com seu novo cd Kala, e para mim dessa vez mostrou a cingalesa mostrou a que veio. Experimentação é a palavra de ordem, baralhos e inspirações das mais inusitados inusitadas são encontradas nas diferentes faixas desse trabalho. Em “Bird Flu” tem um barulinho que parece feito de criancinha gargarejando acompanhado de uma batucada pra brasileiro nenhum botar defeito. O single “Boyz” com seu refrão que parece dizer “Pois é, pois é!” pode se passar por som de terreiro de macumba para um ouvinte desavisado. “Jimmy” é inspirada numa canção que foi hit na índia, de um filme famoso “bollywoodiano” (recomendo também o clipe, totalmente kitsch) . Tudo isso além de estranho pode parecer chato e pretensioso, mas na verdade MIA consegue produzir algo super pop e divertido. É justamente toda essa estranheza que encanta a audição de Kala, ainda mais comparando à falta de originalidade e ousadia em que a musica pop se encontra.

Nota: 8

Sugestões de download: Jimmy, Boyz, Bird Flu, Paper Planes

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Spoon – Ga ga ga ga ga
Se o novo cd da MIA chama atenção pelo som exótico, o forte do novo cd do Spoon é justamente a simplicidade das musicas. E isso não é uma critica, na verdade, um puta elogio. Numa época em que a pretensão de certos artistas atinge níveis imensuráveis é sempre muito bem recebida uma banda que chega com um rock bem básico e despretensioso como deve ser mesmo. O disco abre com “Don’t Make me a Target” que dá o tom do som básico de fácil digestão que irá seguir pelo resto do disco. Em “You Got Your Cherry Bomb” as coisas ficam mais animadas e faz uma dobradinha deliciosa com “Don’t You Evah”, uma das melhores do disco que lembra muito os melhores momentos do Cake. “Finer Feelings” é outra pérola que teria total potencial para se tornar hit caso um dia entre na trilha sonora de alguma novela da Globo. O ponto baixo do disco vem justamente da faixa mais experimental “Ghost of Your Lingers”. Os vocais desordenados e guitarra distorcida simplesmente não decolam e é a única faixa chata do disco. O que é muito pouco para um trabalho em que todo resto é irretocável.

Nota: 9

Sugestões de download: You Got Yr Cherry Bomb, Don’t You Evah, Finer Feelings, The Underdog

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Outras faixas de outros artistas que são essenciais de serem conferidas:

Rilo Keley – Silver Lining
Justice – D.A.N.C.E
GoodBooks – Illness
Super Furry Animals – Show your Hand
The Sounds – Painted by Numbers
Tokyo Police Club – Your English is Good

domingo, 16 de setembro de 2007

Emoção pra valer!



Domingo de sol.

Todo mundo vivendo intensamente e aproveitando o dia.
Aqui na minha casa uns aproveitaram o domingo para:

Ir o Zoológico - Passei. Muito quente, muito fedido e com muitas crianças histéricas e pais idem. Em outra época e com amigos até era um passeio legal. Hoje eu passo. Eu quero é sossego!

Ir o Mercado Municipal de São Paulo - Passei. 'Não tô muito afim de novidade. Fila em banco de bar...' Boa Amarante! Bate aqui o/! Não tô podendo em travar conhecimento com ninguém hoje. Comer o sanduíche de mortadela, beber e ser simpática... prefiro beber e engordar em casa. Eu passo.

Lavar o carro e deixá-lo um brinco - Passei. Não tenho carro e nem sei dirigir.

Passei tudo isso e decidi o que vou fazer com a segunda parte¹ do meu domingo:

Ir na adega comprar smirnoff ice, patê de anchôvas, torradinhas para o patê, queijos exóticos, azeitonas de Itu e, se o dinheiro permitir, um vinho doce. Voltar pra casa me esparramar no sofá e assistir ao filme 'Cães de aluguel' que eu nunca assisti e vai fazer aniversário de 1 aninho na minha estante. Depois dormir um pouco. Acordar e fazer o gongyo da noite, escrever as cartas que estou devendo aos meus amigos, estudar e dormir de novo. Ô que coisa boa!

Acho que 'viver intensamente' é um troço bem relativo.

¹A primeira parte foi dormir, tomar café da manhã, assistir a um dvd dos Simpsons e arrumar meu quarto ouvindo 'The best of New Order'. Uma beleza!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

storytelling.



acabei de ver histórias proibidas.
dessa vez não cometi o erro de deixar o filme mofando no computador. procurei feito louca por legendas hoje a tarde, e nenhuma dava certo. o jeito foi arranjar alguma em outra língua, e "colar" as falas em português. minha sorte foi que a "outra lingua" era português de portugal (isso quer dizer que eu não tive que mudar muita coisa, mas mesmo assim, tive que olhar frase por frase).

o filme é ok. um ok meio boca torta.
a impressão que tive, é que solondz estava com dinheiro sobrando e muitas idéias na cabeça. aí desenvolveu tudo meio que na correria, com a ânsia de terminar logo.
o filme se divide em duas partes (que não se complementam).
a ficção, que conta um breve caso de um casal de namorados aspirante a escritores. o garoto tem paralisia cerebral, e acha que a namorada esta interessada pelo professor, um vencedor do prêmio pulitzer, mesmo ele sendo irritante.
daí o garoto termina com ela e ela sai pra espairecer. e quem ela encontra num bar escuro, sentado num canto, fumando e bebendo, como se estivesse esperando por ela? quem? quem? quem? tão clichê... tsc.
achei as cenas um pouco fortes, porém necessárias. a aluna, que meio que, "timidamente", se derrete na frente do professor, descobre que ele é um belo filho-da-puta (óóóóóóóóó). racismo mal explorado, mas o fim da ficção num ponto perfeito.

a não-ficção, mostra um diretor de documentários sem dinheiro e sem iniciativa. e cai do céu (mais precisamente no banheiro) uma mina de ouro pra sua idéia brilhante. e ela se chama scooby, um jovem apático, meio gay, sem saber o que quer direito da vida. e sua crise: o teste de admissão pra faculdade, a qual ele não quer ir. ah claro, e sua família descontrolada.
o pai gordo e autoritátio, a mãe hipócrita e teatral, o irmão do meio jogador-de-futebol-popular-com-namorada-loira, o irmão caçula que tende pro lado geek, mas é mais esperto do que se imagina. e a empregada velha e com sotaque espanhol.
de repente uma tragédia na família, e o documentário que poderia se tornar algo sensacionalista, só faz a platéia (numa exibição teste) rir e rir.


a segunda parte sozinha já seria um bom filme, se explorassem melhor o irmão do meio. o caçula é ótimo, inteligente e lutando por espaço. a empregada, cansada e sempre chateada, com suas respostas em frases-feitas ("foi a vontade de deus"), típico de ignorantes, sempre na ponta da língua.
enquanto scooby, o central, passa boa parte olhando pro nada, com aquele ar inexpressivo. há fiapos de comédia, que foi feito mesmo pra se rir, nada daquela coisa tragicômica.
inclusive a alfinetada no filme beleza americana.
já que tudo que o superestimado beleza... fez foi diluir a fórmula de felicidade (e depois papar todo o crédito), nada mais natural que solondz devolvesse a gentileza. com direito a musiquinha irônica e tudo. +

infelizmente terei que concordar com aquele povo que diz que é o pior filme de solondz. perto do que já vi dele, esse é bem ruinzinho.
mas não é nada insuportável, não é um filme que me faça querer de volta os minutos perdidos.
até porque, eu sincronizei a legenda, pô!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Não permita



Não permita que sua vida profissional prejudique sua vida social.

Não permita que seus preconceitos tomem conta de você.

Não permita que a solidão te destrua.

Não permita que o pensamento e o comportamento massificados te atinjam.

Não permita que apaguem sua personalidade.

Não permita que coloquem idéias medíocres na sua cabeça.

Não permita que façam você gostar de música ruim.

Não permita que a moça do Cinemark recuse sua carteirinha.

Não permita que coloquem castanha no seu sundae de morango.

Não permita que te ofendam.

Não permita que o seu coração não ame alguém.

Não permita não acreditar.

Não permita não permitir.

sábado, 8 de setembro de 2007

e Pedro gritou: Independência e parcelamento em 36x, por favor

A primeira Independência do Brasil foi em 1822, certo? Pedro tava com uma diarréia tão grande que empesteou o riozinho onde fazia a seção descarrego. Empesteou tanto que até coloriu o riozinho que ficou conhecido como Ipiranga (em tupi antigo: ´Ypyranga – rio vermelho). Bonifácio, o tutor do Pedrão, pesou muito pra ele ficar no Brasil e proclamar a independência. Pedrão, que assim se tornaria Imperador, foi lá e gritou. Só que os perós não eram tão amigáveis e ainda por cima estavam devendo uma puta grana pros inglesinhos, então disseram mais ou menos assim: Tudo bem negada, mas vão ter que pagar se não vamos meter bala!
O cenário estava assim: A Revolução Industrial estava pra bombar na Inglaterra, Portugal tava devendo uma puta grana pra eles e o Brasil não tinha grana pra independência e muito menos “big cojones” pra enfrentar os perós. Então, os inglesinhos super bonzinhos emprestaram o ouro (que provavelmente era de origem brasileira) pro Brasil. Pagamos os perós e eles, pagaram os ingleses. Assim o ouro voltou pra Inglaterra e nós ficamos com uma puta dívida. Mais adiante, pros inglesinhos poderem vender maquinário e tecnologia pra nós, era preciso acabar com a escravidão para se formar uma classe trabalhadora e conseqüentemente consumidora, e assim a princesinha deles aqui fez.

Quem não pagou porra nenhuma pra ficar independente foram nossos colegas americanos do norte. Tiveram bolas pra encarar inglês de bosta e hoje são a maior potência mundial.
Há pouco tempo ocorreu outra independência. O chefe lá, todo orgulhoso se gaba porque quitou a dívida com o FMI. Sim, pagamos de novo. Talvez o presidente devesse estudar um pouco mais de história pra verificar que bolas grandes trazem mais benefícios pra uma nação do que pagamento de dívidas covardes. Há outros exemplos, nossos vizinhos argentinos não pagaram de imediato e crescem mais do que nós.

Pra terminar, quero deixar registrado meu sentimento de ódio e nojo de político coronel fazendeiro descendente de bandeirante escravizador assassino de índio; e de esperança, porque queria algum dia, ter orgulho dessa amada pátria.

Black Tulip

Acordei no meio da noite, por causa de um sonho
abri a janela e o azul ainda dormia,
acompanhado por estrelas quietinhas

lá fui eu para o jardim, sentar perto do chafariz,
fechei os olhos, imaginando em que canto de mundo você estaria
lembrando dos versos da última mensagem e das suas histórias

vou te escrever e contar sobre o sonho que eu tive
que começou exatamente neste jardim,
mas no lugar do meu chafariz, havia dezenas de tulipas negras

e tal como agora, eu sentava aqui e imaginava,
em que canto de mundo você estaria
e as histórias que você teria para me contar,

a minha carta vai lhe dizer que, no meu sonho,
eu fechava os olhos e me perguntava por você
entre dezenas de tulipas negras como veludo real
e quando despertava, você pairava entre a lua e eu.


Danielle Chinaski

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Víctima Serial






Rabia.
Eso es lo único que siento.
Una rabia sin límites.
Como un hierro caliente en el centro de mi corazón.
Pero ya van a ver non se van a olvidar de mi rabia jamás.
Está todo listo.
Los voy a hacer puré.
De nada vale prevenirse, no hay lugar a donde ir.
Yo voy a estar en todos lados.
Necesito sangre.
Mucha sangre.
La sangre me va a hacer olvidar para siempre la sombra
permanente que siento sobre mi.
Todavía hay mucho por hacer.
Ya fueron dos de las víctimas y hay más.
Ahora viene lo mejor.










(Texto e fotografia* extraídos do vídeo "Víctima Serial", de
Jorge Macchi**)



*Fotografia de Néfer Kroll
** Jorge Macchi é argentino e é um dos artistas
com exposição monográfica durante a 6ª Bienal do Mercosul - Porto Alegre -
Brasil)