quinta-feira, 2 de julho de 2009

DES ABAFO

Hoje é 03 de abril. HOJE SÃO três de abril. Tanto faz. Tanto faz? É, não sabia? Que eu saiba não! Mas tanto faz, porra! Tanto faz nada! Então tá. Ficou bravo? Não fiquei, só que tanto faz. Se tanto faz, por que ficar tão bravo? Pela correção desnecessária. Se é desnecessária por que a raiva? …. Vamos sair hoje? Não sei, você quer? Quero. Pra onde quer ir? Tanto faz. Ai caralho! Qualquer lugar pra mim tá bom. Qualquer lugar? É, tanto faz! Vamos ao cinema. Ah não, cinema não! Teatro? Ah, não. Caralho então porque você disse que tanto faz o lugar que vamos? Porque tanto faz, desde que não seja o cinema e o teatro. Então você escolhe. Ok, eu escolho.

É aí que você vai para num restaurante japonês caríssimo e morre em R$ 200,00.

domingo, 28 de junho de 2009

,


ei,
eu nunca quis saber qual era a verdade,
mas ela veio à tona,
e eu a amei de verdade,
foi quando você me ligou e disse,
de voz rouca e tom baixo,
que não poderia fazer nada,
e quando você o fez,
e apareceu em casa,
e com seu hálito de menta,
me disse tudo aquilo,
e fez de tudo um pouco,
e amou como um louco,
eu sorri chorando,
você chorou sorrindo,
e soltou um longo suspiro,
e me pediu outra,
e eu te dei a outra,
eu te pedi aquele,
e você me deu aquele,
e você nunca esqueceu,
e me lembrou de novo,
que era apenas a hora,
de não se jogar fora,
foi quando na demora,
você olhou profundo,
e disse num segundo,
que foi a mais pura verdade,
te mostrei as estrelas
e te contei a vontade,
e foi por isso, é só por isso,
que você resolveu QUE



(eu nasci para um amor profundo e você é a profundidade.)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Poeteiro

Hey, Boo
Cê tá... Cê tá esquisita
Hey, Boo
Cê tá... cê tá... cê tinha todo aquele amor pra me dar
Pra me dar, Boo. Cê tinha todo tempo e amor pra me dar, Boo.
Cê tinha todo tempo e vontade pra me dar, Boo.
Cê tinha todo prazer em me dar, Boo.
Mas Boo... Cê tá esquisita.
Cê foi embora e me deixou sem nada, Boo.
Cê tá esquisita.
Cê foi embora e me deixou sem você, Boo.
Cê tá esquisita.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Quero que o mundo se dane... *


Então teve a Virada Cultural na Cidade de São Paulo nos dias 02 e 03 de maio.
E eu fui. E fiz o centro antigo de São Paulo de ponta a ponta.
E sim, este texto é retardatário.

Acho fabuloso esse evento porque ele te permite 'conhecer' uns lugares, ruas do centro de São Paulo que só se encontrando em um estado mental alterado você, em um dia normal, se atreveria a passar às 2h, 3h da manhã... e eu super animada nessa mega festa cultural começando a noite do lado da cracolândia. Fantástico ou não?


Para quem não conhece a Virada Cultural ela acontece na cidade de São Paulo uma vez por ano desde 2004 e é sempre em um fim de semana, começando às 18h do um sábado e indo, non stop, até às 18h do domingo. São shows, filmes, peças, intervenções, exposições, apresentações diversas acontecendo em diversos pontos da cidade. O metrô e os trens funcionam madrugada a dentro o que torna possível presenciar a hora do rush às 2h30 da manhã! Em 2007 eu peguei o metrô nesse horário e desacreditei na luta que foi entrar em um vagão. Esse ano, em algumas estações para evitar tumulto, a galera tinha que entrar em pequenas levas. Isto é, tinha que esperar para usar o metrô e a única atração curiosa pra ver no metrô era a galera tombada, largada nos cantos. Quando digo tombada não é de cansaço não, é por falta de consciência mesmo.
Eu fiquei das 21h do sábado até às 15h30 do domingo participando da Virada. Vi muita coisa e deixei de ver muita coisa mas o que valeu mesmo nesse ano foi:

FILMES DE TERROR NO CINE DOM JOSÉ


Fui com meus amigo pra lá assistir 'Planeta Terror' e o lugar estava lotado. O cinema tinha cara de decadente e no hall de entrada tinha como decoração apenas um poster. E de que filme era o poster? CABARET! Com a Liza Minelli!!! De que século era aquele poster? A partir daí era só somar dois mais dois para deduzir que esse foi o único poster que acharam perdido no cinema e que não era de um pornozão forte. Uma sala de cinema no centro antigo de São Paulo sem ser o Olido para mim é cine pornô. Quando conseguimos entrar na sala estava no meio do filme 'DellaMorte DellAmore'. Ficamos em pé, no fundo da sala naquela histeria da galera berrando nonsenses e gritando a cada tiro, a cada cena mais nojenta. Quando entrei na sala fiquei pensando: 'Que nojo esse povo sentado nessas cadeiras, NO CHÃO! Será que eles não desconfiam que tipo de sujeira os clientes habituais do recinto deixam por ali durante a semana? Argh!'. Mas o cansaço superou o nojo e assim que vagaram algumas cadeiras eu e meus amigos sentamos. Bem, pelo menos já tinha passado por ali algumas pessoas desde às 18h o que já dava pra levar embora na roupa qualquer resíduos não limpo na cadeira... a não ser que alguém que seja cativo do cine não tenha se entimidado por causas dos zumbis e se entregou, mesmo assim, ao onanismo o que acho pouco provável mas como tem tara pra tudo nesse mundo... okay okay é melhor nem desenvolver a idéia.

Mesmo assistindo somente metade do filme 'DellaMorte DellAmore' já me tornei fã. Absurdo, triste e engraçado. Adorei. E tem umas frases espetaculares no roteiro como: 'A morte - Este palhaço delirante!'. Intenso. Agora eu só preciso saber onde consigo esse filme.

Eis que chega a hora de 'Planeta Terror'. A criatura que estava fazendo a projeção dos filmes (aka trocando os dvds) adiantou o trailler do 'Machete'. Fiquei indignada e ainda bem que não fui a única. Todo mundo começou a gritar pro cara passar o trailler e acabaram voltando o filme. Acho que se estivessem passando 'Trovão Tropical' ia acontecer a mesma coisa.

Já havia assistido 'Planeta Terror' e assisti-lo novamente naquele pandemônio foi surreal e maldito seja o homem do colete com bigodinho de vem cá meu puto que jurava estar convergindo holofotes enquanto bebia uma coca-cola encostado em um canto da sala.

SHOW DO ODAIR JOSÉ NO LARGO DO AROUCHE


Fui almoçar com meus amigos na Liberdade e acabei perdendo a primeira música do show. Quase tive um AVC quando um senhor me avisou que a primeira música dele foi 'A noite mais linda do mundo (a felicidade)'. Como assim?! No meu perfeito set list imaginário era para ele fechar com ela! Fiquei putíssima por ter perdido essa música mas nem por isso o show perdeu seu encanto. Acho que dava pra contar fácil quem ali tinha menos de trinta anos (eu, meus amigos, um jornalista da Folha, um cara da revista Piauí, alguns fotógrafos e outros jornalistas - foi onde eu vi mais jornalistas na Virada).

Chegamos no show com ele cantando 'Essa noite você vai ter que ser minha'. A galera sabia as músicas dele e cantava junto (eu no balaio, claro). O show foi só dos clássicos e foi bem rádio também, dedicou música, desejou feliz aniversário para uma fulana que estava na platéia e mandou um recado em um papel avisando que fazia aniversário naquele dia, autografou vinil, recebeu flores e cantou com o Zeca Baleiro o que pra mim foi um pusta disperdício de tempo porque ele acabou cantando 'Eu, você e a praça' duas vez já que o Zeca Baleiro tinha regravado a música questão. Se não fosse isso teria dado tempo para ele cantar 'Ela voltou diferente'. Meu amigo Thi queria ouvir 'Uma vida só (pare de tomar a pílula)' e ele não se decepcionou. Foi uma tarde de clássico não só no futebol mas também naquela praça ao som de 'Eu vou tirar você desse lugar', 'Deixe essa vergonha de lado', 'Na minha opinião', 'Que saudade de você', 'Vida que não pára' entre outras. A tarde estava ensolarada, a galera animada e o show terminou com 'Cadê você?'. Ouvir todo o Largo do Arouche cantando o refrão dessa música a pleno pulmões foi mágico. Super! Deveria ter sido um show de duas horas!

Ah tá, esqueci de avisar: Eu adoro as músicas do Odair José.

* Essa frase é da música 'Na minha opinião' que causou comoção na galera com os versos: 'Na minha opinião o importante é se querer, assinar papel pra que, isso não vai prender ninguém...'. Ahhh gente, Odair pra vida!

domingo, 3 de maio de 2009

Bukowski advised us: Love is a Dog From Hell


* - pourquoi personne ne parle de l'amour ? - *

eu costumo pensar no Amor como alguém perverso
que se diverte nos observando cair em suas armadilhas
porque só ele, o Amor, sabe que a nossa afeição
pode ser eterna sem durar uma vida
e que nós somos uns sonhadores
(e quem sabe aonde os sonhos acabam?)

quando nos apaixonamos,
o Amor nos espreita, com olhar maldoso
porque conhece nossos corações
e sabe das nossas falhas, do que somos capazes
e se um dia as promessas e sonhos
voam longe, aos estilhaços, o Amor se ri

em seu prazer sádico em nos sussurrar
que a vida vai continuar,
e onde termina uma história, outra se anuncia
e os estranhos de hoje serão as almas gêmeas de amanhã
e então, negaremos o que já nos foi precioso

o que aprendemos juntos será oferecido a outro,
ao novo amor que nos promete um novo sonho,
no fundo, sabemos que é tão ilusório quanto seu antecessor
mas nos convenceremos que finalmente amamos de verdade
pois ninguém lembra que o Amor é desleal
e por isso, ele sempre nos vence

O Amor é cruel ao nascer e ao morrer
porque morre lentamente, amargurando as idéias e os ideais
e porque ele nunca morre só: leva sempre um pedaço de nós
esperança, desejo, fé, alegria...
você escolhe o que consegue segurar
e reza para encontrar um meio de recuperar o resto

Então, chega o dia em que você compreende o Amor
como um sonho alucinante com o estranho poder
de mudar destinos, para o bem e para o mal
até que um dia você se dá conta
que seu coração é um circo onde fantasmas vagueiam.


Dani. Chinaski

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Saudade


Daquela amoreira.
Daquela piscina de plástico.
Daquele churrasco no domingo.
Daquelas dancinhas com as primas.
Daquelas primas.
Daquela bola batendo na parede.
Daquela rede.
Daquele bisavô.
Daquela fantasia.
Daquela mandioca frita grudando no guardanapo.
De ir na padaria usando aquele Rider rosa e a mão do meu pai.
Daquela professora.
Daquele elástico de cabelo da Pakalolo.
Do tlin-tlin do gelo daquele copo de uísque do vô.
Daquela melhor amiga que ia ser pra sempre.
De falar mal do cabelo daquela menina mais popular da quinta série.
De gostar daquele menino.
Daquele palco.
Daquela piscina com cloro e touca.
Daquela aulinha de inglês.
Daquele seriado.
Daquele diário.
Daquele quintal.
Daquela gatinha malhada.
Daquela festa que não deu pra ir.
Daquele pijama velho cor-de-rosa.
Daquele macarrão à bolonhesa.
Daquela bala juquinha.
Daquele machucado no joelho.
Daquele ipê.
De ouvir aquela fitinha no walkman.
Daquele CD que gravaram pra mim.
Daquele avião.
Daquele frappuccino do Starbucks.
Daquela vista.
Daquele bolo de aniversário.
Daquele livro que foi lido 37 vezes.
Daquela cidade.
Daquele mar do outro lado do mundo.
Daquela blusinha roxa.
Daquela paixonite aguda.
Do beijo daquele moço.
Do carinho daquele outro.
Das velas daquela noite.
Daquela música que eu cantei na chuva.
Do pôr-do-sol daquela montanha.
Do nascer do sol daquela praia.
Daquele dia que eu descobri que eu podia.
Daquela menina.
Daquela mulher.
De mim.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Pássaro Dourado

há um mês, parti em mais uma aventura
ouvindo, do inferno, o poeta
bater firme em seu teclado
perfumando os dias com boemia,
e toda sorte de histórias mal contadas

foi assim que finalmente chegamos
eu e os piratas, à cidade grande
saboreando o cinza, do céu ao chão,
a cada nova curva, rostos cansados,
sussurros, indiferença, beleza
e chuva cortante feito aço...

ouvimos os sábios, cantamos com os ciganos
desbravamos terras, saqueamos tesouros
ofendemos, rimos e choramos
eu e a trupe reunida
sob a balada de uma velha japonesa

até que uma noite, uma noite infernal
costurada com estrelas e linho,
o vi pousar na minha frente
feito um grande pássaro dourado,
livre e ligeiro como o vento de novembro
sem dizer palavra, sem fazer gesto
pousou e deixou-se ficar, manso
até que eu me aproximasse

e ao lhe perguntar o nome,
ele sorriu através dos seus olhos
e me disse que era um homem de paz
e que seus amigos lhe chamavam de messias

e seus cabelos tecidos com fios de sol
escorriam sorriso abaixo
e seus olhos foram o oceano de águas claras
em que eu mergulhei e acabei me afogando

logo eu, pirata do velho mundo
açoitada com toda sorte de desventuras
logo eu, me peguei sonhando de novo.


Danielle Chinaski