domingo, 14 de outubro de 2007

O que estou escutando agora agora


Irei oficializar com esse nome, um espaço para escrever sobre os sons que venho escutando, desde novidades e descobertas a clássicos que estão sempre na minha playlist. Já tinha feito isso no post “Momento NME”, mas o nome ficou muito crítico musical hype wannabe, e nada melhor do que fazer referência a um dos tópicos da comunidade “Que Legal” mais clássicos para batizar este espaço.

New Divas Assim que estão sendo chamadas o grupo de cantoras que vem recebendo múltiplos elogios de críticos e público e que é por composto por Bjork, Cat Power, Feist, PJ Harvey, dentre outras. Destas, as 3 primeiras vem recebendo muita atenção no país por serem atrações do Tim Festival (que provavelmente não irei e estou pra morrer por causa disso). Diferentemente das divas dos anos 90 que depositavam sua fama no laquê e em canções em que se comunicam com golfinhos, essas novas artistas chamam atenção pela crueza, originalidade e um leve toque de glamour.
O ultimo trabalho de Bjork “Volta” foi considerado um retorno a um som mais pop e acessível, só se comparado, claro, a seus últimos trabalhos mais experimerimentais. Confesso que não sou muito fã da cantora, mas não há como não admirar seu imenso talento em transformar qualquer barulinho em arte.
Cat Power é dona da melhor trilha sonora para se abraçar o bueiro. Chan Marshal (seu nome verdadeiro) é depressiva, já tentou suicídio e é detentora do estilo “fossa” na veia. Seu ultimo CD “The Greatest” entrou em praticamente todas as listas dos melhores do ano passado e com louvor. Destaque para faixa título, “Could We”, “Islands” e “Lived in Bars”. Compre uma garrafa de gin, baixe as musicas da cantora e mande ver!
Feist é o mais novo fenômeno da música pop. A cantora que já foi vocalista de uma banda punk agora faz um som mais tranqüilo e com uma levada pro jazz. “1,2,3,4” caiu nas graças do grande público em massa depois que foi trilha sonora da propagando dos I Pods coloridos e possui um clipe que deve ser conferido. “My Moon, my man”, “I Feel it All” e “Mushaboom” são mais músicas da cantora que brilham no meio de tantas faixas boas.
PJ Harvey é queridinha do povo indie e tem uma longa carreira com altos e baixos. Seu novo trabalho “White Chalk” fica no meio termo, tem uma sonoridade bonita mas não é muito empolgante. Se tiver num clima mais tranquilinho escute “When Under Ether” e “The Piano” e não se arrependerá.
Radiohead A banda mais poderosa da música atual e provavelmente a única que possui moral de fazer o que der na cabeça inovou mais uma vez em disponibilizar seu novo álbum “In Rainbow” na internet, cobrando de quem baixar o álbum a quantia que a pessoa bem quiser. O CD vai bem na linha do ultimo trabalho de Thom Yorke “The Eraser”, com um sonzinho quase estilo lounge, o que é bom, mas dá uma saudade do Radiohead genial e comovente de “Ok Computer”. “All I Need” e “House of Cards” são as melhores que estão tendo.
The Knife Quem curte música eletrônica não pode deixar de conferir essa banda genial. Os vocais exóticos e batidas enigmáticas criam um som pegajoso e único que cai bem pra ouvir em casa, na balada ou na acdemia. Ano passado a banda lançou o disco Silent Shout que possui pérolas como “We share our mothers health”, “Like a Pen”, “Marble House” e a faixa título. Não deixe de conferir também “Heartbeats” de seu disco anterior “Deep Cuts” e que é uma versão de uma belíssima música de José Golçalvez, artista que eu não escutei muito ainda mas parece ser muito talentoso também. Agora para de ler isso e vá confirir as músicas logo!! Já!!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Cartas na mesa



Ei, eu me lembro de você.

Eu me lembro de você. Lembro de você atravessando a calçada e me sorrindo. Lembro do seu cigarro e do seu chiclete de menta, e do sopro do fumo que você soltava rindo. Quando a gente andou entre aqueles prédios, eu lembro de você ter dito que queria um café. E a gente se enfiou num cubículo qualquer cheio de poltronas, nos entregando a uma conversa cafeinada e sincera. Eu me lembro quando você ficava uma fera.
E a gente imaginava festas e grandes eventos sociais que poderiam rolar desde pracinhas desertas a museus nacionais. A gente tinha tantas idéias!
Sim, eu me lembro de você. Dos dois primeiros botões de camisa que você nunca abotoava, das mesas que você riscava, da tatuagem que você nunca fez. Eu me lembro!
Eu me lembro de nós dois embaixo da chuva, andando encharcados, porque correr não adiantava mais. Eu me lembro de nós dois nos despedindo e você olhando para trás.
Quando você apontava um passarinho na rua, eu sempre olhava rindo. Porque você gostava dos gatos pretos e queria adotá-los todos. Porque você sempre foi você.

Sim, eu me lembro daquele dia em que você me ligou, e num momento , tudo se apagou. Você disse , no bocal do telefone, que ninguém gostava de você. Que você era sem graça. Que você era substituível. Você disse : "Eu sempre te contei coisas e nem sei se você gostou. Acho que é só por educação que você sorri. Você é a pessoa que eu perdi."

Ah, eu queria te mostrar o livro do Tempo, o livro da Verdade Infinita e Incontestável para te mostrar que quando você chorava, eu chorei, o que você amou , eu amei, e quando você contava piadas, eu ri , rindo as risadas mais sinceras e escancaradas. Pela sua alegria eu ri . Pelo chiclete, pela chuva e pela sua xícara de café , eu sempre, sempre ri.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Os ideais não mudam

Ontem, numa aula de ciência política, eu ouvi do meu professor que nós estamos numa faculdade de direito pra aprender a ter opiniões bem fundamentadas, e também para mudar de opiniões.

Uma aluna ousou discordar dele e disse que jamais mudaria sua visão política, e ele insistiu que assim não se era completo, que deveria se estar apto a mudar sua visão no momento em que se visse que ela não era a correta.

Como assim “correta”?! São os ideais da pessoa, não é um texto que vai fazê-la mudá-los, por mais embasado e convincente que seja este texto.

No momento em que tu solidifica teus ideais eles são pra vida toda, afinal são teus ideais, são as coisas em que tu acredita, é a tua opinião sobre determinado assunto, isso não muda simplesmente por ter lido algo bem fundamentado.

Recentemente tive a oportunidade de ler ‘O caso dos exploradores de cavernas’ onde cinco juizes dão seus votos sobre a condenação ou não dos espeleólogos por terem cometido homicídio e comido a carne do que foi morto, para sobreviver. Desde antes de ler o livro eu já sabia sobre o que se tratava, e eu já tinha uma opinião formada, de que os exploradores jamais deveriam ser considerados culpados, afinal eles estavam numa situação de vida ou morte, era uma situação adversa, onde não valem as leis de onde tu mora e sim as leis naturais que tu mesmo cria através de contratos firmados. É a lei da natureza, é o que se chama de direito natural, jusnaturalismo.

Ler o livro só me fez ter uma opinião mais fundamentada, e nisso eu concordo com o professor, estamos cursando esta faculdade para que possamos ter base para que nossos argumentos sejam bons, mas apesar de ter visto dois votos e meio contrários a posição que eu aceito como correta, e estes votos eram muito bem fundamentados e inclusive criticavam – e muito – o voto que eu aceitei como o que mais se encaixava com o meu pensamento, em momento algum eu pensei em mudar de opinião, por mais criticada que ela tenha sido durante o livro inteiro, afinal é a minha opinião, é o que eu penso sobre o assunto, isso não muda simplesmente lendo uma opinião contrária, porque não há nada que prove que a minha opinião está incorreta, apesar dos argumentos usados para tentar provar que o voto do juiz com o qual me identifiquei era mal embasado.

Ideais não mudam, e se mudam é porque a pessoa tem a cabeça muito fraca.

domingo, 7 de outubro de 2007

Transgredindo e vivendo


Logo que nascemos, damos o primeiro choro que marca o início de nossas vidas fora do útero materno, e sem sabermos somos automaticamente inseridos numa série de regras e convenções sociais que todos seguem, muitos sem nunca questionar ou se perguntar a razão de existirem. Talvez se nascêssemos com a consciência deste fato nosso choro seria mais doloroso e prolongado.
Não comer biscoito antes do almoço, dormir antes das 22 horas, não responder pai e mãe, ir para escola, estudar para prova para passar de ano, acreditar numa religião, votar obrigatoriamente nas eleições, fazer vestibular, trabalhar, casar e formar uma família... Vamos seguindo nossas vidas num curso que a sociedade prega ser o correto e muitas vezes sofremos e nos esforçamos para alcançar algo que nem ao menos sabemos se é o que queremos para nós mesmos. No entanto, toda essa alienação social proporciona uma das sensações mais maravilhosas que podem ser experimentadas em vida: romper as regras.
É algo completamente satisfatório e pleno, que melhor traduz o estado de liberdade e para poder vivenciar esses momentos toda uma vida pode ser justificada. A diretora mala do colégio fala que é errado, a Bíblia condena, geralmente existe alguma forma de castigo implicado no processo, mas isso tudo torna o ato de transgredir ainda mais emocionante e satisfatório. É o nosso ser, nossa vontade se manifestando acima de qualquer obstáculo, uma prova que conseguimos alcançar a felicidade se não nos reprimirmos e mantermos a mente aberta.
Em tempo: tenho vontade de quebrar com um soco o vidro que dispara o alarme de incêndio do prédio, de roubar o DVD que está tão caro na loja, de sair do bar sem pagar a conta, de ir para a aula de pediatria bêbado, de passar com um trator por cima de todos os carros no engarrafamento, de casar sob o som de “Sympathy for the Devil” dos Stones. Tudo isso pode parecer estúpido ou desnecessário, mas quebra a rotina, renova o destino, uma forma de arte em forma de ações.
Essa força é o que inspira as crianças a mentir, os alunos a colar, os padres a transar, os políticos a roubar, os rockstars a se drogar, as esposas a trair, enfim, um tempero essencial para nossas vidas.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

São as galinhas mais felizes que botam os ovos mais gostosos

Saber que o que nos espera no futuro é incerto dá uma dinâmica completamente estranha para uma vida que nunca teve bases sólidas ou apoio estrutural. Ter liberdade para decidir onde afundar o barco, onde padecer perante a carnificina, com quem e como, é simplesmente fantástico e dá à nossa geração de pobres uma oportunidade ímpar de experimentar o que é aproveitar a vida segundo nossos paradigmas já não tão fundados.

A globalização, a extinção das classes sociais, a nova divisão internacional do trabalho e a recém eclodida geração da sociedade técnico-informacional está aí e temos que curtir este momento. A pobreza passou (na verdade ela não passou assim simplesmente, mas vamos considerar que passou) de simplesmente financeira para estrutural. Ela existe e foi muito bem assimilada por todos. Deram a ela o seu devido valor afinal!!! Até que enfim ganhou consciência. Ela deve existir. Não faz sentido enriquecer os pobres, pois se os pobres ficarem ricos, quem serão os pobres? Pois antes disso há todo um sistema de equilíbrio que vai exigir uma compensação ao enriquecimento alheio. Claro, de quem não devia enriquecer. Se quem enriquece é um podre de rico, aí tudo bem.

E como fazer para que os pobres não se sintam pobres? Fazendo os meio pobres se sentirem pobres também, camuflando uma possível revolta dos miseráveis, e colocando classes próximas socialmente lutando uma contra a outra. E com a supressão do espaço-tempo isso fica ainda mais legal!

Viva os telecentros, viva as lan-houses populares. Viva o orkut, o blog e a câmera digital! Vamos padecer, mostrando cada passo dessa investida vertical para o mundo!

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

beijosmeliga.

seu dia esta ruim?
seu carro morreu naquela avenida movimentada?
chegou atrasado no trabalho?
levou bronca do chefe?
derrubou catchup na sua camisa novinha?
levou chá de cadeira no detran?
perdeu a carteira?
roubaram sua senha do orkut, e mudaram seu nome pra "ju taradinha"?
tá com dor de dente?

sua vida anda chata, boba, feia e cara de mamão?

ligue 0800-883-0012, e ouça uma mensagem de fé, coragem e perseverança.

domingo, 30 de setembro de 2007

Shu


O beco está quieto e mal iluminado. O vapor proveniente dos bueiros dificulta a visão e preenche o ar com o odor fétido dos esgotos da metrópole. O silêncio congelante que rodeia o local é quebrado esporadicamente pelos ratos que se esgueiram entre as lixeiras à procura de restos de comida.

Do fundo do beco emana uma luz alaranjada e tremulante. No final deste corredor claustrofóbico se encontra um grande caçamba de lixo, com intensa chamas em seu interior. As grandes línguas de fogo lambem o ar freneticamente, fazendo o pútrido vapor acima das labaredas rodopiar numa dança fantasmagórica.

Próximos à caçamba, escondidos entre as sombras, dois jovens encapuzados observam fixamente as chamas. A penumbra que os rodeia não permite que seus rostos sejam vistos. Na verdade, somente devido ao brilho do fogo refletido em seus olhos podia-se dizer que sob cada capuz existia algum rosto.

Naquele momento os menos afortunados podiam notar uma pequena silhueta, quase hominídea, que pouco a pouco ia se definindo entre as labaredas. A figura se contorcia lentamente, acariciando as línguas de fogo ao seu redor. Os dois jovens observavam extasiados a dança hipnótica do homúnculo. À medida que a dança se intensificava, o reflexo nos olhos dos rapazes ia se tornando cada vez mais opaco e sem vida.

Em pouco tempo, a dança cessou. Agora, já não se pode dizer com certeza que sob cada capuz existe um rosto. Não há mais brilho nos olhos. Dentro de cada capuz, apenas um vazio negro. Vazia também está a caçamba de lixo. Lá não existe mais fogo ou Criatura. Mas Sua presença é inegável. Os fantoches sem rosto semearão Sua vontade e procriarão em Seu nome.

Ele está no meio nós.
..
.
Obs: texto baseado em experiências do autor