sábado, 11 de agosto de 2007

Tunguska, a pedra da morte.



Essa noite, eu sonhei que havia aliens malvados atrás de mim, que eles raptaram várias pessoas e separaram os homens, pra retirar seus "híbridos masculinos" (hahaha).
E aí eu fugi, e fugi, e corri como eu não consigo na vida real.
Vi menininhos se transformando em monstrinhos e eu pensando super rápido como não consigo na vida real. Pondo em práticas planinhos esperto e infalíveis, pra que esses monstrinhos morressem ou ficassem bem longe de mim.
Saí de um prédio enorme cinza, e encontrei uma pessoa familiar que iria me ajudar.
Aí voltando pra casa eu vi um super acidente de caminhão e várias pessoas morrendo.

Tenho que parar de assistir Arquivo X.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O labirinto do Minotauro


Como chegar ao fim
Sem ter ao menos começado?
Fico pensativa assim
Porém sem ter um resultado apontado.

Para chegar ao fim
Precisa-se chagar a metade.
E para chegar à metade, sim,
Precisa-se chegar ao fim da outra metade.

Como saber onde fica a metade no fim contida?
Seguindo caminhos ilusórios traçados cuidadosamente
Procurando a metade da metade, e assim sucessivamente
Nunca conseguiria sair do lugar de partida.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Nem me choca mais.



Ok, notei que os posts desse Zine recentemente estão ficando sentimentais demais, não que isso seja ruim, porque sentimentos bons sempre são BONS, mas se a coisa fica muito sentimental, começa a ficar depressiva. E aí depressão não é legal. Então resolvi falar de outra coisa. Das coisas que não me chocam mais.

Se for apenas impressão minha , me avisem: as pessoas não estão ficando mais discretas? Menos "olha GALIÉÉÉRA COMO EU SOU ALUCINADOOO" ? Até digamos... sem sal? Eu ando reparando nisso , e isso é recentíssimo, devem fazer umas 3 ou 4 semanas, eu poderia até relacionar isso com o desastre aéreo, mas talvez seja viagem demais da minha parte. Enfim. Percebi isso porque eu estudo numa faculdade em que aproximadamente todos têm um tipo de problema psiquiátrico, e a maioria aqui deve ser histérico, bordeliner ou bipolar, mas de repente, todo mundo começou a ficar normal. Pessoas que eu via alucinando loucamente por aí pararam. Os comentários sarcásticos que eu ouvia dos sarcásticos de plantão sumiram. Até o pessoal que matava aula pra beber no boteco - acreditem! - está vendo aula. Algo está acontecendo.

E eu tenho uma teoria : é porque ninguém mais se choca com mais nada. Está tudo tão banalizado, tão saturado, que as pessoas não se impressionam mais com coisa alguma, e aí ficam amorfas (como meu amigo Paulo sempre diz) desse jeito. Por exemplo:

1. Pornochanchada e violência brutal na TV: nem me choca mais.
2. Mulheres vestindo calça com zíper de 2 cm e top de 1,5 cm : nem me choca mais.
3. Mulheres com o vestuário acima atendendo pacientes no hospital e se auto-denominando médicas : nem me choca mais.
4. Pessoas comentando "Putz ontem o Fulando usou Morfina no Conforto Médico" : nem me choca mais.
5. A quantidade absurda de moradores de rua ao redor da Av. Paulista: continua me deixando indignada, mas o descaso do governo nem me choca mais.
6. Aliás, o descaso do governo: nem me choca mais.
7. Comentários do tipo "puuutz cááára bebi muito ontem , acordei na calçada e alguém tinha vomitado em mim HAHAHAHAHAHA e eu descobri que o vômito era meu , ainda bem né UHUUU HAHAHAHAHA GLAMOUR DECADENTE, BABY!" : não me choca mais.
8. Certas babaquices que só os indies carudos da Rua Augusta fazem: nunca me chocaram, agora então me entediam.
9. Padarias 24 h lotadas , e lotadas de gente vestida como se estivesse indo na vernissage do Metropolitan de NY: nem me choca mais.
10. Miguxaxxx de 13 anos de idade que falam que são bissexuais : nem me chocam mais.
11. Pessoas que pagam psicólogo e acunpunturista para cachorro : nem me chocam mais.
12. Rock sendo cada vez mais desprezado e coisas do tipo REBELDES cada vez mais valorizadas: nem me choca mais.
13. Aliás, o único "rock" em evidência ultimamente é emocore. Isso nem me choca mais.
14. Gente acreditando no Lula : nem me choca mais.
15. O Iggy aí em cima, todo business man , sério e compenetrado: nem me choca mais. Porque quem já leu um pouquinho sobre o Sr. James sabe que ele é isso aí da foto, e não a loura enloquecida pré-punk que ele mostra nos shows dos Stooges. Tudo aquilo que ele fazia era para tentar chocar alguém.

E infelizmente, está tudo tão amorfo que parece que pessoas incríveis como ele e shows alucinantes como os dele também não chocam mais.

domingo, 5 de agosto de 2007

Era de Capricórnio.


Percebo as coisas subentendidas, pelo menos em minha cabeça paranóica esta é a impressão predominante. No mundo globalizado onde a tecnologia permite conversas instantâneas não importa a que distância estejamos, me reservo a não comunicação. Apenas ao subliminar das relações humanas. Remeto-me aos períodos anteriores à invenção da luz, e todo resto que hoje rotulamos essencial, para época em que ordenhar vacas era ato heróico e digno de admiração, onde o escuro do céu tinha um valor ao ser colorido pelo sol nascente.

Sou um homem fora de meu tempo, você deve estar pensando. Creio que sim. Gosto do antigo, daquilo que outras pessoas já viveram. Consigo comprar tudo que curto em antiquários e sebos, 90% das pessoas que gosto de escutar cantando, morreram; os 10% sobreviventes não se sentem muito bem, como eu.

Saudosista de uma época que não vivi.

sábado, 4 de agosto de 2007

Merdinha de vida bonitinha


Que faz a gente pensar o quanto somos felizes sem motivo. Ao mesmo tempo em que caímos na real e vemos que somos na verdade felizes, mas como compradores de um modelo enlatado de felicidade.

Mas depois voltamos a perceber que não há, para nós, outra felicidade. Então aquela felicidade falsa, enlatada, que nos dão a toda hora, em qualquer lugar, é a verdadeira felicidade, pois é a única que conhecemos.

E nos faz feliz.

Muito.


E ter felicidade deve ser igual comprar Milho Verde: primeiro só tinha a versão em lata. Agora podemos escolher entre várias!!!!!

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

O mundo silencioso.



num esforço para que as pessoas
olhem mais nos olhos umas das outras,
e também para satisfazer os mudos,
o governo decidiu determinar
para cada pessoa exatamente cento
e sessenta e sete palavras por dia.

quando toca o telefone, ponho-o ao ouvido
sem dizer alô. no restaurante
aponto para a canja de galinha.

estou me ajustando bem ao novo jeito.
tenho estampas para todas as ocasiões.
cada manhã invento uma nova frase
que imprimo numa camiseta,
como os seres humanos estão vindo
ou karaokê para mudos.

tarde da noite, ligo para meu amor distante,
orgulhoso digo somente gastei cinqüenta e nove hoje.
guardei o resto para você.

quando ela não responde
sei que usou todas as suas palavras
então sussurro lentamente
eu amo você
trinta e duas vezes e um terço.
depois disso, ficamos junto à linha
ouvindo um o respirar do outro.


jeffrey mcdaniel (tradução de mauro faccioni filho)


* retirado do blog welcome home, roxy carmichael.

O que a gente espera de uma manhã chuvosa?


A janela molhada

O primeiro cigarro aceso na sacada

As gotas caindo da folha da planta

A avenida lotada logo cedo

Os táxis todos fora do ponto

As pessoas correndo

Um almoço marcado para o meio dia

Que pode ser atrasado para a uma hora

Que pode ser arruinado pelo bad hair day.



O que a gente espera de uma manhã chuvosa?

A gente espera o sol.

E só.

Na esperança de que brilhe e esquente tudo.

Para que a avenida volte ao normal

Os táxis voltem ao ponto

As plantas sequem

E o cabelo fique lindo e solto.

Só o sol.