segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sem palavras

Cada frase dita é uma vontade não realizada. Cada “Eu te amo” é a falta de um abraço encorajado ou um beijo apaixonado somente imaginado. Palavras, nada. Uma pergunta, insegurança na conclusão própria, receio do desconhecido, de descobrir o mistério sozinho. Um convite, medo. Receio de expor o querer puro e inocente, da aceitação ou do temor da solidão. Palavras, o triunfo da derrota. Palavras, nada.

Por pouco não sou vencido por essa praga. Mas aqui não há palavras. Meus dedos teclaram o “F”, teclaram o “A”, teclaram o “Z”, o “E” e o “R”. Há materialidade na sobreposição do red, do green e blue do monitor. É uma extensão da minha essência. Como uma música, uma pintura, um soco na cara. É criação, pois palavras, nada.

Portanto, não diga que me ama ou odeia. Passe na minha casa. Espero um jantar pago, um beijo ou carta de despedida, um grito de desespero, um empurrão no peito. Não comente esse texto, não estou interessado, não é necessário dizer nada. Se escrever um bilhete, é ele próprio o que importa. Não é nem mesmo seu conteúdo, mas o seu peso. Então, não me diga nada, pois serão só palavras.

9 comentários:

Marianna Portela disse...

mesmo as palavras não querendo dizer nada: mexeu comigo. acho que o objetivo era mexer com as pessoas, de alguma forma, não? ou, conhecendo você... não tinha qualquer tipo de objetivo. O texto é porque é. E ele é.

Felipe Odin disse...

Se uma pessoa pôde compreender já fico feliz, pois estava com mau pressentimento porque o texto é PESADO! hehehe! obrigado, chambinho.

Gentz, quem tiver vontade de comentar deve postar sim! O sentido do texto não tem nada a ver com o feedback que pode receber. Além disso o espaço aqui é democrático.

O texto é uma provocação. É o lado romântico de um macho alpha. Por isso que macho alpha não é romântico! hahaha!

abraços

Paula disse...

Puxa, que texto incrível! Adorei. De verdade. Concordo plenamente. Ele leva o pragmatismo ao pé da letra, a ação sempre em primeiro lugar. Parece que você ficou até inspirado no Alberto Caeiro pra escrever tudo isso. Um cavalo no jogo de xadrez não é um cavalo, é apenas um pedaço de madeira. As coisas são o que são.
E sim, palavras vazias não levam a nada. Como disse a Alice Ayres no Closer: "Where's your love? I can't see it, I can't touch it!". As atitudes do dia-a-dia constróem um "eu te amo" muito mais forte do que a mera frase.

Incrível. Parabéns, Fê.
A little less conversation, a little more action.

morganapersefone disse...

Caramba...

morganapersefone disse...

... adorei o texto! Foi meio que um tapa pra mim. Me fez perceber que ultimamente eu sou só palavras. Que triste!

Thuan Carvalho disse...

muito bom!

Jordan disse...

muito bom mesmo.
Se me tornarei ou não adepto a esse blog, é por casua desse texto.

parabéns (:

rpaul81 disse...

Sem muita inspiração para um comment a altura desse texto, seimplesmente otimo.

. Pâmela Almeida. disse...

Disse tudo em tão pouco.
Belo Post!